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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Santo Cristo - O Mosteiro de Nossa Senhora da Esperança - Açores - Portugal


O Mosteiro de Nossa Senhora da Esperança foi o primeiro Convento de Freiras que se erigiu em Ponta Delgada. A sua construção foi iniciada em vida do seu fundador, o Capitão Donatário Rui Gonçalves da Câmara (Rui II) que, depois do terramoto de 20 de Outubro de 1522, que arrasou Vila Franca do Campo, passou a residir em Ponta Delgada que já era vila desde 1499.
Sua mulher, D. Filipa Coutinho coadjuvada por vários fidalgos, conseguiu concluir as obras, interrompidas ao tempo da morte do fundador ocorrida em 20 de Outubro de 1535. Foi em 23 de Abril de 1540 que as freiras deixaram o convento da Caloura, trazendo a Imagem do Senhor Santo Cristo, e vieram habitar o Mosteiro da Esperança.

Na segunda metade do século XVII, o Convento da Esperança começou a beneficiar de grandes melhoramentos: os célebres azulejos que ainda hoje se encontram no coro baixo, são da autoria de António de Oliveira Bernardes; a talha da capela do coro baixo é atribuída a Miguel Romeiro que, em sonhos, a ideara; a decoração do tecto da igreja e da primitiva talha da capela-mor e dos altares laterais foi realizada, em 1658, pelo pintor micaelense Manuel Pinheiro Moreira, irmão da Ordem Terceira de S. Francisco, em Ponta Delgada, e professor de pintura de suas próprias filhas.No ano de 1723, havia na Esperança 102 freiras e 57 noviças, pupilas e servas. Em 1821, a população do mosteiro era de 108 senhoras - 42 freiras professas, 36 seculares sem dispensa e 30 fâmulas. Em 1865, havia 72 senhoras, sendo 9 religiosas da Esperança, 11 do Convento da Conceição, uma do convento de S. João, uma do convento do Bom Jesus da Ribeira Grande, uma do convento de Santo André de Vila Franca, 16 meninas que serviam no coro, uma secular, duas senhoras que não faziam serviço, vinte e uma servas da comunidade e onze servas particulares.

As Religiosas de Maria Imaculada foram o quarto instituto a ocupar o Convento da Esperança. A última religiosa clarissa, a Madre Abadessa Maria Vicência Cabral, faleceu em Dezembro de 1894. Já então havia recolhidas que vestiam hábito e continuavam os usos conventuais, não obstante os reparos da imprensa periódica, ainda presa aos decretos anti monásticos de Maio de 1832.Com o Bispo D. António Meireles, na terceira década do presente século, vieram as Visitandinas, a que sucedeu a Congregação de São José de Cluny. Constituído o seu colégio, conforme risco do arquitecto micaelense João Rebelo, na Rua Agostinho Pacheco, coube às Religiosas de Maria imaculada ocupar o Convento, em cuja recuperação trabalharam como operárias.

Tinham as Clunicenses confiado à Madre Maria do Carmo o cuidado da Capela do Santo Cristo, dizendo a sua superiora que ninguém melhor do que uma açoriana saberia ocupar-se daquele recinto. A Madre Maria do Carmo era micaelense, sobrinha de Mariano Victor Cabral, notável redactor do "Diário dos Açores".As religiosas de Maria Imaculada, que ocupam, actualmente, o lugar das antigas Clarissas, ali presentes de 1541 a 1894, têm sido extremamente atentas ao significado espiritual do Convento e têm dado aos reitores do Santuário uma excelente cooperação.

Em Abril de 1959, o então Bispo de Angra, D. Manuel Afonso de Carvalho, declarou Santuário Diocesano a Igreja do Santo Cristo.Eis um extracto desse decreto episcopal:

"Dom Manuel Afonso de Carvalho, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica Bispo de Angra e Ilhas dos Açores:(...) Para que este culto de Jesus Cristo Rei não esmoreça e a Paixão do Senhor absorva plenamente as almas, sem que surja qualquer vislumbre de prática ou acto menos conforme com o espírito e orientação da Santa Igreja, havemos por bem:
1) Declarar a Igreja do Santo Cristo dos Milagres Santuário Diocesano e confiar a sua administração a um sacerdote especialmente designado por Nós;
2) Recomendar a todos os reverendos Párocos e Sacerdotes que incutem nos fiéis o verdadeiro espírito de piedade e fervor para com o Santo Cristo, prevenindo-os dos perigos por ocasião da festa anual, a fim de que todas as suas acções sejam para a maior glória do Senhor;
3) Exortar todos os Açorianos, de qualquer categoria que sejam, a que, nas horas de tribulação como nas de bonança, invoquem, com verdadeiro espírito de fé, o Senhor Santo Cristo e lhe peçam que lhes conserve a pureza do coração, a resignação nos infortúnios e, dum modo especial, a graça para levaram uma vida conforme com a vontade do mesmo Senhor, a fim de um dia O poderem aclamar no seu Reino de glória.
Dado em Angra e Paço Episcopal, aos 22 de Abril de 1959."

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