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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Ribeira Grande - Geografia - São Miguel - Acores - Portugal

O Concelho da Ribeira Grande situa-se na costa norte da ilha de S. Miguel, a maior e mais populosa das nove ilhas que constituem os Açores.

Este Concelho é um dos seis em que está dividida a ilha de São Miguel. Tem a circundá-lo o Oceano Atlântico [a norte] e os Concelhos de Nordeste [a leste], Povoação [sueste], Vila Franca do Campo e Lagoa [a sul] e Ponta Delgada [a sudoeste e a oeste].

O Concelho da Ribeira Grande é o mais plano de toda a ilha, abrangendo 179,5 km2 e 14 freguesias.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Serra da Tronqueira - São Miguel - Açores - Portugal

A Serra da Tronqueira é uma elevação portuguesa localizada no concelho do Nordeste, ilha de São Miguel, arquipélago dos Açores.
Este acidente geológico tem o seu ponto mais elevado a 906 metros de altitude acima do nível do mar.
É nos contrafortes desta serra e no Pico da Vara que se encontra o Priolo, passariforme em vias de extinção com a designação científica de Pyrrhula murina. Este pássaro que até aos príncipios de 2007 apenas podia ser observado nas emidiações desta Serra e no já mencionada Pico da Vara tem sido encontrado já em 2008 a menores altitudes graças aos cuidados de protecção que lhe tem sido aplicados. Aqui localiza-se também o Centro Ambiental do Priolo, situado na localidade da Pedreira.



Nas suas imediações localiza-se o Pico Bartolomeu e na extremidade oposta o Outeiro Alto. Nas encostas desta serra nasce a Ribeira da Tosquiada e alguns dos afluentes da Ribeira do Guilherme ou Ribeira dos Moinhos como também é conhecida.

Vale das Furnas - Sao Miguel - Acores - Portugal

Enorme caldeira e viçoso jardim em que o colorido das flores se mistura com o verde brilhante das criptomérias e araucárias. Frondosa vegetação de países frios e países tropicais, com algumas espécies difíceis de encontrar nos países de origem.
A tranquila e romântica Lagoa das Furnas, com o perfil gótico da Ermida José do Canto - dedicada a Nossa Senhora das Vitórias - projectado nas suas águas límpidas, convida a momentos de repouso. Nas suas margens, sulfataras vulcânicas, e as "cozinhas naturais", em que se obtém o famoso "cozido" enterrando no solo os tachos, hermeticamente fechados. As Caldeiras são uma área de manifestações vulcânicas diversas, sendo uma das mais espectaculares a caldeira de Pêro Botelho, com a sua lama fervente. Junto às Caldeiras, as nascentes de água termal a diversas temperaturas. Integradas neste conjunto, as Termas Pavilhões e hospital termal (séc. XIX).


O Parque Terra Nostra, com base nas plantações iniciadas no séc. XVIII por Thomas Hickling, prosseguidos no séc. XIX, na pitoresca freguesia das Furnas, é uma visão romântica de lagos, caminhos sinuosos, flores, árvores exóticas centenárias, silêncio. Lago-piscina de água termal quente, confluência de duas ribeiras.
Integrados no complexo turístico do Vale das Furnas, um campo de golfe e "courts" de ténis.

O Vale das Furnas é atravessado por duas caudalosas ribeiras, uma de água fria e outra de água quente, colorida pele ferro em suspensão. Típicas azenhas.
Nas proximidades, o Pico do Ferro, miradouro que oferece amplos panoramas sobre o Vale das Fumas. Cascatas.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Lagoa do Fogo - Sao Miguel - Acores - Portugal

A lagoa do Fogo é uma das maiores lagoas dos Açores e a segunda maior da ilha de São Miguel, e é classificada desde 1974 como reserva natural.
Faz parte integrante da Rede Natura 2000, pelo facto de ter sido classificada como Sítios de Importância Comunitária. SIC (Açores), aprovado por Decisão da Comissão Europeia no dia 28 de Dezembro de 2001, nos termos da Directiva Habitats 92/43/CEE do Conselho. Esta lagoa de águas muito azuis ocupa uma área de 1 360 há, que é bastante tendo em atenção as dimensões da própria ilha.



A lagoa do Fogo, ocupa a grande caldeira de vulcão adormecido do fogo. Este vulcão dá forma ao grande maciço vulcânico da Serra de Água de Pau, localizado no centro da ilha de São Miguel. Todas esta zona é rodeado por uma densa e exuberante vegetação endémica.
Esta caldeira vulcânica, tal como o vulcão que lhe deu forma é a mais jovem da ilha de São Miguel e ter-se-á formado há cerca de 15 000 anos. A sua configuração actual é resultado do último colapso, tido como importante e que ocorreu no topo do vulcão, há aproximadamente 5 mil anos. A última erupção data de 1563.

Esta Lagoa, é também a lagoa mais alta da ilha de São Miguel, facto que se deve a se encontrar no cimo de uma montanha cujo ponto mais alto se eleva a 949 metros. Localiza-se no topo do grande vulcão do Fogo, também conhecido como vulcão de Água de Pau. A caldeira tem forma de colapso tem forma elíptica e dimensões aproximadas de 3 x 2,5 km. As paredes desta caldeira chegam a atingir desníveis de 300 metros.

A lagoa devido a se encontrar no centro da cratera localiza-se a uma cota bastante mais baixa, encontrando-se a 575 metros. A profundidade máxima atingida nesta lagoa são os 30 metros. Dentro de todo o perímetro da Reserva Natural, lagoa, cratera, e vertentes da mesma, destacam-se bastantes espécies de plantas endémicas dos Açores: é o caso do cedro-do-mato (Juniperus brevifolia), o louro (Laurus azorica) e o sanguinho (Frangula azorica). Surgem ainda a malfurada (Hypericum foliosum), a urze (Erica azorica) e o trovisco-macho (Euphorbia Stygiana).



A principal fauna, aqui representada pelos pássaros de pequenas dimensões é muitas vezes acompanhada por aves de grande porte como as aves de rapina. Assim, surge nos ares da lagoa, além das aves caracteristicamente terrestres como o pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica), o milhafre ou queimado (Buteo buteo rothschildi), a alvéola-cinzenta (Motocilla cinérea) e o melro-preto (Turdus merula azorensis), as aves marinhas como a gaivota (Larus cachinnans atlantis) e o garajau-comum (Sterna hirundo).

Pico do Carvao - Sao Miguel - Acores - Portugal



O Pico do Carvão com amplos horizontes sobre o mar e o centro da ilha dominando as costas norte e sul. Nas proximidades, as Lagoas do Carvão, do Canário e Rasa, além de outras mais pequenas, envoltas pelo verde fresco das árvores e das pastagens.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Igreja de Sao Nicolau - Sete Cidades - Sao Miguel - Acores - Portugal

A Igreja de S. Nicolau, de estilo neogótico, foi construída no século XIX, passando a ser sede de curato e de paróquia, na segunda metade do século XX.



Sete Cidades - Historia - Sao Miguel - Acores - Portugal

Sete Cidades é uma freguesia portuguesa do concelho de Ponta Delgada, Região Autónoma dos Açores, com 19,22 km² de área e 858 habitantes (2001). Densidade: 44,6 hab/km². Localiza-se a uma latitude 37.87 norte e a uma longitude 25.78 oeste, estando a cerca de 260 metros de atitude no interior da caldeira do vulcão das Sete Cidades, na margem oriental da lagoa do mesmo nome.O nome da freguesia tem raízes nas lendárias Sete Cidades do Atlântico e é uma das múltiplas ocorrências do topónimo nas zonas de expansão portuguesa quinhentista.


Sete Cidades tem uma escola do 1.º ciclo, uma igreja (São Nicolau), e um campo de futebol.
Situa-se esta freguesia na parte oeste da ilha de S. Miguel, nas Cumieiras da Bretanha. Dista cerca de 32 km da sede do concelho de Ponta Delgada e é limitada pelas freguesias da Bretanha, Remédios, Relva, Feteiras, Candelária, Ginetes e Mosteiros. Tal como a freguesia das Furnas, esta povoação localiza-se no interior de uma cratera, estendendo-se pela margem oeste da Lagoa Azul.Esta cratera é uma espécie de fosso de grande profundidade, de 12 km de circunferência, completamente fechada em toda a volta. No fundo, espraia-se água onde se reflecte o arvoredo que abunda nas vertentes.Apresenta este vale uma lagoa principal, maior que as restantes, conhecida por Lagoa Azul, e outra, a sul, conhecida por Lagoa Verde, seguindo-se outras lagoas ou caldeiras menores: a de Santiago, a Rasa e a do Alferes. Junto à margem da lagoa maior, destaca-se uma povoação de casas brancas.


O solo, extremamente poroso, permite o escoamento das águas através das fendas do basalto. Todavia, não sendo suficiente este escoamento, foi construído um túnel que garante a estabilidade do nível da água. Sete Cidades emergiu das entranhas de um vulcão, cujo cone gigantesco a isola do mar e do mundo. Foi em consequência dos grandes cataclismos sísmicos verificados em 1444, que se formou a sua bacia hidrográfica. O nível das águas das lagoas está aproximadamente a 251 metros do nível do mar, sendo de 19 metros, a sua maior profundidade.


O primeiro documento que menciona os Açores como terra já descoberta, foi passado em 1439 pela chancelaria de D. Afonso V, inferindo-se da sua leitura o intuito de mandar povoar as ilhas, para o que já fizera o trabalho preliminar da distribuição dos animais necessários à alimentação do homem, tendo ficado ligado a esta tarefa o nome de Frei Gonçalo Velho, primeiro capitão donatário das ilhas de Santa Maria e S. Miguel.
Todavia, o povoamento de S. Miguel só teve lugar a partir de 1474, isto é, depois de Rui Gonçalves da Câmara ter comprado a capitania da ilha a João Soares de Albergaria, em grande parte devido às dificuldades de comunicação com o Continente e porque os portugueses procediam aos primeiros ensaios de navegação no mar alto.
Assim, com ampla experiência colonizadora adquirida na Madeira, foi ele quem promoveu a vinda de colonos e quem procedeu à divisão e distribuição das terras, para serem arroteadas e cultivadas.

Segundo reza a tradição, os descobridores aportaram a um lugar que se haveria de chamar, mais tarde, Povoação Velha. Continuaram depois até Vila Franca do Campo, para finalmente chegarem a Ponta Delgada.
Inicialmente, esta povoação foi um pequeno povoado de pescadores atraídos pelas suas seguras enseadas. Assim, o povoamento da ilha de S. Miguel processou-se a partir do litoral, sendo, portanto, desabitado, nos primeiros tempos, todo o seu interior. Tal também aconteceu a Sete Cidades.

Lagoa das Sete Cidades - Acores - Sao Miguel - Portugal

A lagoa das Sete Cidades é o maior lago de água doce dos Açores, ocupando uma área de 4,35 km quadrados na parte oeste da ilha de São Miguel. A lagoa das Sete Cidades é um duplo lago composto pelas lagoas Verde e Azul, ligadas por canal pouco profundo atravessado por uma ponte baixa sobre a qual passa a estrada de acesso à freguesia das Sete Cidades. O cumprimento máxima do lago, no sentido norte-sul, é de 4,2 km, por uma largura de 2,0 km. A profundidade máxima é de 33 m. Existem muitas lendas sobre estas duas lagoas, incluindo a da princesa e do pastor.Este estrato-vulcânico, de uma superfície de 110 km2 , constitui a parte oeste da ilha de São Miguel nos Açores.


O vulcão Sete Cidades tem feito as as capas de revistas e reportagens sobre os Açores e a Ilha de São Miguel e os seus vulcões: Furnas, Lagoa do Fogo. O Vulcão Sete Cidades tem a particularidade de apresentar uma das mais belas caldeiras dos Açores e mesmo do mundo. Este local na Primavera é de uma beleza sem igual, com hortências e Fuschias e a vegetação em geral despontando. A cratera circular com 5km de diâmetro(18 km2), profunda com paredes de 400 m. Esta cratera pela sua forma é uma forma designada pelo termo caldeira. Esta caldeira apresenta alguns edificios vulcânicos e dois lagos que estão a uma altura de 251 metros:Lagoa Azul (ao norte) e a Lagoa Verde(ao sul). O ponto culminante é o Pico da Cruz com 845m.A lava mais antiga conhecida é um Traquito(Traquito é uma rocha eruptiva comum entre a produção lávica de erupções vulcânicas pós-caldeira) , com uma idade de 210 000 anos.
Esta lava diz-se diferenciada por ser mais rica em silicio que o basalto o que pressopõe que o vulcão já tinha uma câmara de magma. A idade das Sete Cidades é talvez muito importante. segundo as datações rádicronológicas, a caldeira formou-se , á 22 000 anos, a seguir á emissão de pedras-pomes de natureza igualmente traquiticas. A erupção foi acompanhada de uma coluna de cinza com muitos Km de altura e de nuvens ardentes. Esta erupção relativamente recente permite compreender os vulcões mais antigos que apresentam igualmente uma caldeira, mas mais dificeis de entender. Deram-se uma série de erupções no exterior e interior. A primeira erupção pós-caldeira deu-se á 17 160 anos, com um grupo de explosões traquiticas sobre o flanco externo oeste.



Após uma fase de reposo, de cerca de 10 000 anos estes aparelhos vulcânicos entraram em actividade no fundo da caldeira.. Pode-se distinguir a partir de norte para sul e no sentido contrário dos ponteiros do relógio: Seara(5 000 B.P.), Caldeira do Alferes(4 000 B.P.) Caldeira Seca(em 1 444 B.P.)(estes dois compostos de Traquiticos apresentam uma ligeiramente picos com uma cavidade sugerindo um lago). Segundo outra fonte o cone de escórias de Cerrado das Freiras situado a este do Lago Azul ter-se-á formado em 1444.A actividade extra-caldeira das Sete Cidades manifestou-se com pequenas emissões de lava, as mais recentes encontram-se a oeste da Ilha de São Miguel: Ponta da Ferraria(840 B.P) e no Pico das Camarinhas (1713)


Erupções Históricas
A data de 1444 é relatada , a fonte foi tirada do estudo de Georges Zbyszewski , Os Fenómenos Vulcânicos Modernos no Arquipélago dos Açores , Comunicações dos serviços Geológicos de Portugal, Tomo XLVII, 1963. Este autor faz menção ao Arquivo dos Açores , Vol 1,1(1878). A localização é imprecida e a segunda viagem dos navegadores portugueses após a descoberta dos Açores em 1427 observou ( qua a alta montanha que eles tinham visto a partir da costa dos Mosteiros estava (quente). A superficie do mar estava coberta de pedra-pomes e troncos de árvore.
Segundo outras fontes(Forjaz,1997) após um estudo histórico das erupções, estas podem-se ter dado em 1439 e 1460, mas não existe nenhuma referência á erupção de 1444. No final de 1713, a erupção do pico de Camarinhas que formou a ponta de Ferraria. Á pouco tempo a zona vulcânica das Sete Cidades apresentou uma crise sísmica em Junho de 1998 que culminou na noite de 2 para 3 de Agosto com 120 sismos registados em três horas.



Erupções Submarinas ao largo das Sete Cidades
As erupções submarinas deram-se : 1638, 1682, 1811, 1981. Na erupção de 14 a 22 de Junho de 1811 uma ilha apareceu a 2 Km da costa . Esta nova ilha tinha 2Km de comprimento e 90 metros de altura. O Capitão Tilliard, de uma fragata inglesa, a Sabrina, desembarcou nela em 4 de Julho e aí plantou o pavilhão britânico. Mas o oceano foi mais forte e após alguns meses a ilha desapareceu. Esta história foi descrita por Alexandre Dumas que dizia que a ilha Julia(entre ilha de Pantelleria e a Sícilia) e a exploração por Constant Prévost desta mesma ilha em 27, 28, e 29 de Setembro de 1831.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Ilhéu da Vila Franca do Campo - Açores - Portugal

O Ilhéu de Vila Franca do Campo está localizado na costa sul de São Miguel, a cerca de 1 Km da costa da vila que lhe deu o nome. A sua actual morfologia é o resultado da acção da erosão marinha sobre um cone vulcânico com uma composição geológica baseada em tufo.
Presentemente, os bordos da cratera compõem dois ilhéus, o ilhéu Pequenino situado na costa nordeste e o Ilhéu Grande que constitui a maior estrutura emergente. A cratera por eles definida, forma uma baía quase circular com cerca de 150 metros de diâmetro que comunica com o mar através de um pequeno canal orientado a norte, entre o ilhéu Grande e o ilhéu Pequenino. Blocos de rocha basáltica dominam as zonas mais influenciadas pela acção da ondulação, tais como o canal de entrada e as várias fissuras através das quais a água sai da cratera (localmente conhecidas por golas).
Tendo sido descoberto em 1537, a história do Ilhéu de Vila Franca do Campo atravessa numerosos proprietários e funções tão diferentes como de forte militar, porto de abrigo, vigia da baleia e zona de cultura de vinha. Em 1983, face a um uso indiscriminado, surgiu a necessidade de proteger o interesse natural e paisagístico do ilhéu, tendo sido publicado o Decreto Regulamentar Regional n.º 3/83/A, que classificou o Ilhéu de Vila Franca do Campo como Reserva Natural.
A Reserva Natural compreende uma área terrestre de 5 ha, que inclui todo o ilhéu, e a área marítima adjacente até uma profundidade de 30 metros.
Embora marcada por uma forte intervenção humana, as comunidades terrestres incluem ainda matos macaronésios naturais de faia e urze, sobretudo na face norte do ilhéu Pequenino, onde subsistem espécies como o bracel Festuca Petraea, o Juncus Acutus,a urze Erica Scoparia Azorica e a faia-da-terra Myrica Faya. O Ilhéu Grandeencontra-se fortemente dominado pela presença de flora introduzida, sendo a cana Arundo Donax e a árvore de folhagem permanente Metrosideros Tomentosa as mais abudantes.



Relativamente à diversidade de aves da comunidade de aves marinhas que ocorre e nidifica no ilhéu existem referências bem documentadas, tendo a área sido recentemente inclúida na lista de Important Bird Areas dos Açores, publicada este ano pela Birdlife International. No ilhéu e na costa envolvente nidificam uma colónia de cerca de 300 casais de cagarros Calonectris Diomedea e uma colónia de garajáus-comuns Sterna Hirundo de cerca de 10 casais. Existem ainda dados de ocorrência de freira-do-bugio Pterodroma Feae e de Oceanodroma Castro na mesma costa.
A composição e distribuição das comunidades litorais evidenciam diferenças que resultam da localização (mais ou menos exposta) e o tipo de seustrato (sedimentar ou rochoso), traduzindo-se numa das grandes riquezas desta área protegida. Numerosas espécies de algas e invertebrados caracterizam a zona-entre-marés. Entre as mais conhecidas e facilmente identificáveis encontra-se a Ligia Italica (pequeno crustáceo isópode), Melarhaphe Neritoides (gastrópode), Fucus Spiralis (alga castanha localmente conhecida por fava-do-mar), Patella Candei (lapa mansa), Carollina Officinalis (alga vermelha de fonte calcária), Paracentrotus Lividus (ouriço) e Ophidiaster Ophidianus (estrela-do-mar). A nível submarino, as golas encontram-se entre os habitates mais típicos desta área protegida e de maior interesse, sobretudo pela fauna ciáfila que abrigam.

Nos Açores, as paredes destes corredores são normalmente recobertas por organismos como esponjas, briozários encrostrantes, madreporários (como Caryophillia Smithii) e minúsculos hidrários. Sobre o fundo e sobre as irregularidades do substrato, encontramos vulgarmente pequenos camarões de tons avermelhados (Plesionika Narval) e crustáceos de maiores dimensões como caranguejos-ermitas (Dardanus Callidus) e os sempre surpreendentes cavacos (Scyllarides Latus). Ao nível dos peixes, congros (Conger Conger), abróteas (Phycis Phycis) e foliões (Apogon Imberbis), são as espécies mais frequentes.



O fundo da baía interior do ilhéu é composto por rocha nua parcialmente coberta de areia, sendo as zonas sul e sudeste as mais profundas. Para além da comunicação que a baía estabelece com o mar através do canal estreito acima referido, as golas são importantes para a comunidade da baía, na medida em que providenciam trocas adicionais de água e areia entre a baía e o mar aberto. A configuração do banco de areia em forma de crescente, sofre certamente influência de factores sazonais, mas parece resultar da força relativa da água que atravessa as fissuras e da direcção predominante dos ventos.

Sobre o quadrante noroeste da baía desenvolve-se um interessantíssimo povoamento formado por algas calcárias de crescimento livre (maerl). Crescendo a partir dos núcleos centrais, estas algas vão desenvolvendo prolongamentos em várias direcções. À medida que as suas dimensões vão aumentando, as ondas passam a movimentar e a rolar as algas mais frequentemente, levando a um arredondamento do contorno exterior formado pelos vários prolongamentos. No auge do seu desenvolvimento, estes nódulos adquirem uma forma esférica e atingem o tamanho de bolas de golfe. O Ilhéu de Vila Franca do Campo é o único local dos Açores onde se registou a ocorrência deste tipo de povoamento.
Apesar de não ser habitado, o Ilhéu de Vila Franca do Campo sofre uma intensa pressão turística durante a época balnear. No Verão, existe mesmo um barco que estabelece uma carreira regular que chega a transportar para o ilhéu cerca de 600 pessoas por dia - um número claramente excessivo, se tivermos em conta a sua dimensão e os objectivos de conservação da natureza que lhe estão atribuídos.

O Decreto Regulamentar Regional n.º 3/83/A de 3 de Março que classifica o ilhéu como área protegida prevê algumas medidas regulamentares no domínio da exploração dos recursos marinhos. Desta forma, não são permitidas na zona marítima a pesca e a apanha de moluscos, crustáceos e outros invertebrados, bem como a colheita de plantas aquáticas.
No entanto, face à elevada pressão turística que se faz sentir na ilha de São Miguel, o uso e acesso ao ilhéu deverão ser avaliados em função da protecção das espécies e habitates naturais que se pretende para aquela área. Neste sentido, e uma vez que a pressão se verifica especialmente durante a época balnear, a gestão dos recursos costeiros e marinhos do ilhéu de Vila Franca do Campo irá exigir a combinação de uma série de medidas que vão desde acções dirigidas a áreas ou usos particulares até regulamentos gerais que se aplicam à totalidade da área.

Vila Franca do Campo - História - Açores - Portugal

Vila Franca do campo foi durante o primeiro século de povoamento a mais importante povoação da ilha de São Miguel, nela se fixando o capitão do donatário e as principais instituições da ilha (alfândega, ouvidoria), pelo que merece o epíteto de primeira capital micaelense.



Vila Franca do CampoAquela situação terminou quando na noite de 21 para 22 de Outubro de 1522, um violento sismo provocou um grande escorregamento de terras nas encostas sobranceiras à vila, causando um lahar que soterrou a maior parte do povoado. O efeito combinado do sismo e do soterramento provocou a morte a alguns milhares de pessoas. O sismo, hoje conhecido por subversão de Vila Franca, causou ainda mortes em muitas outras povoações de São Miguel e também grandes escorregamentos de terras na Maia e região circunvizinha e em Ponta Garça. A tragédia de Vila Franca inspirou muitos escritos e pelo menos um romance de raiz oral intitulado Romance que se fez d'algumas mágoas, e perdas que causou o tremor de Vila Franca do Campo, editado por Teófilo Braga.

Apesar da destruição, Vila Franca manteve até ao século XVIII, quando a Ribeira Grande a suplantou em importância, o papel de segunda povoação da ilha (depois de Ponta Delgada, nela se desenrolando alguns dos mais importantes eventos das lutas contra entre os partidários de D. António, Prior do Crato e de Castela, que culminaram na batalha naval de Vila Franca, travada ao longo do litoral sul da ilha de São Miguel a 26 de Julho de 1582. Após a batalha, o marquês de Santa Cruz de Mudela, D. Álvaro de Bazán, desembarcou na vila, nela estabelecendo o seu quartel general e ali fazendo supliciar cerca de 800 prisioneiros franceses e portugueses, no maior massacre jamais ocorrido nos Açores.Em Julho de 1562 nasceu nesta povoação Bento de Goes (ou Bento de Góis) que empreendeu na Ásia Central, entre 1602 e 1606, a maior viagem de exploração terrestre portuguesa e uma das maiores de sempre da história da humanidade.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Santa Cruz - São Miguel - Açores - Portugal

A freguesia de Santa Cruz situa-se na costa sul da ilha de São Miguel. Confronta com as freguesias do Rosário, Cabouco e Água de Pau. Constitui, com o Rosário, a Vila da Lagoa. Apresenta uma área de 14,26 Km2, integrando o lugar dos Remédios.
A sua população é constituída por 3501 habitantes, de acordo com os censos de 2001.
Foi na zona da actual igreja de Santa Cruz que os fundadores da Vila da Lagoa se fixaram, junto a uma lagoa então aí existente e que viria a dar nome ao povoado.


Celebra a sua festa religiosa no primeiro domingo de Agosto, em honra ao Santíssimo.
Anualmente, a 13 de Junho, realizam-se as tradicionais festas de Santo António, promovidas pela Junta de Freguesia. A maior atracção destas festas são as marchas, que contam com a participação da juventude da freguesia e das escolas do Concelho. Esta, sendo uma das maiores festas populares, atrai todos os anos diversos forasteiros.
É nesta freguesia que se situa o Edifício dos Paços do Concelho, mais concretamente no Largo D. João III.

Nossa Senhora do Rosário - São Miguel - Açores

A freguesia do Rosário situa-se na costa sul de São Miguel. Confronta com os concelhos de Ponta Delgada e Ribeira Grande e com as freguesias de Cabouco e Santa Cruz. Apresenta uma área de 5,92 Km2, integrando o lugar da Atalhada. De acordo com os censos de 2001, a sua população é constituída por 5401 habitantes.


Esta freguesia constitui, junto com Santa Cruz, a Vila da Lagoa.

No primeiro domingo de Julho, nesta freguesia, celebra-se o dia do Sagrado Coração de Jesus. O dia de Nossa Senhora do Rosário é festejado no segundo domingo de Outubro. Salienta-se ainda a Festa da Juventude, no Porto dos Carneiros, no terceiro fim-de-semana de Julho. Trata-se de uma festa dedicada à juventude, onde não faltam as barraquinhas de comes e bebes e muita música.

No lugar da Atalhada, a festa religiosa é celebrada no primeiro domingo de Setembro – Nossa Senhora das Necessidades.

Ribeira Chã - História - São Miguel - Portugal

A freguesia de Ribeira Chã fica situada na costa sul da ilha de São Miguel, a cerca de 10 km da Vila da Lagoa. Confronta com o mar e com as freguesias de Água de Pau e Água D’Alto (Concelho de Vila Franca do Campo). Apresenta uma área de 2,52 Km2 e a sua população é composta por 366 habitantes, de acordo com os resultados dos censos de 2001. O seu nome advém da ribeira que corre nas suas proximidades e que desagua no mar, por uma grota coberta de lajes rasas.
Inicialmente, a Ribeira Chã pertencia à Vila de Água de Pau. No entanto, foi elevada a freguesia a 18 de Maio de 1966. Nesta freguesia, podem-se visitar diferentes museus, onde é evidenciada a religiosidade e as vivências rurais do seu povo. A sua igreja, construída pelo povo e com o auxílio dos Viscondes da Praia, foi inaugurada em 1967.No primeiro domingo de Agosto, a população desta freguesia festeja a sua festa religiosa – Santíssimo Sacramento.

Água de Pau - História - São Miguel - Açores - Portugal


Água de Pau é uma freguesia do concelho da Lagoa, com 17,43 km² de área e cerca de 4000 habitantes. Densidade: 179,1 hab./km².
No contexto do povoamento dos Açores é muito antiga esta freguesia, sendo elevada a esta categoria em 28 de Julho de 1500. Foi destruída a sua igreja pelo terramoto de 1522, iniciando-se a reconstrução em 10 de Novembro de 1525. A primitiva igreja foi condecorada por D. Manuel I, em 1521, com o hábito de Cristo. Água de Pau, freguesia do Concelho da Lagoa com 4000 habitantes, fica situada na costa Sul da Ilha de São Miguel, a cerca de 17 km de Ponta Delgada e a 7 km da sede do concelho.

A fixação dos primeiros habitantes em Água de Pau terá ocorrido devido à existência de nascentes de água potável, por ser atravessada por uma ribeira que serviu a localidade como fonte de energia e, por último, devido ao facto de as suas terras serem férteis e abrigadas. No século XVI, a principal cultura terá sido a do pastel, enquanto que na zona do Paul existiam "pomares de muita fruta" e na Caloura predominavam a vinha e as figueiras.
Hoje, grande parte da sua população dedica-se à agropecuária e à agricultura, sendo também de registar o número daqueles que têm a sua ocupação na construção civil, nos serviços e no comércio. O artesanato tem forte implantação na localidade, sendo de realçar os trabalhos em vime e de tecelagem.

A 28 de Julho de 1515, por carta régia de D. Manuel I, Água de Pau foi elevada a Vila. Trezentos e trinta e oito anos depois "devido à falta de recursos e de elementos indispensáveis para poder continuar a ter uma administração regular", o concelho de Água de Pau foi extinto por força do decreto de 19 de Outubro de 1853.

Do ponto de vista cultural destaca-se a criação, em 1859, da primeira banda de música da localidade "A União". A "Fraternidade Rural", banda ainda hoje existente, foi criada em 1867 com a designação de "Estímulo Artístico". Hoje, é grande o dinamismo da comunidade pauense na área da cultura, com a actividade das seguintes entidades: o Grupo Jovem Pauense, a Associação Musical "Os Amigos da Paz", o Grupo Musical "Lua Nova", o Grupo "Amantes da Musica", o Grupo de Escoteiros nº 97 da Vila de Água de Pau e ainda o Grupo "Luar de Agosto".

A Vila de Água de Pau,integrava o povoado de Ribeira Chã. O concelho foi extinto em 1853 e o seu território incorporado no concelho da Lagoa. Pelo Decreto Legislativo Regional n.º 29/2003/A, de 24 de Junho, a freguesia de Água de Pau reforçou a categoria de “vila”, que jamais perdeu, tendo perdido o estatuto de concelho mas nunca lhe fora retirado o título de vila.
Além da igreja matriz, teve ainda as Igrejas de Nossa Senhora da Ajuda, Nossa Senhora de Monserrate, São Pedro, Nossa Senhora do Rosário, São Sebastião, Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora da Conceição, a maioria já desaparecidas.

Locais de Interesse na Lagoa - São Miguel - Açores - Portugal

O Concelho de Lagoa proporciona aos amantes da natureza uma excelente oferta paisagística, constituindo no seu todo, um óptimo cartão de visita, impressionando todos os que por aqui passam.

O ex-libris turístico do Concelho é constituído pelo lugar da Caloura. Vinhedos entre muros de pedra negra, o típico porto protegido pela alta falésia de rochas vulcânicas e o conventinho caiado de branco, fazem as delícias dos seus visitantes. Não se trata de uma praia, mas sim de um porto, com uma piscina natural e vários acessos ao mar por escadas e cobiçada pelas suas águas límpidas. O fundo do mar é coberto por cascalho e alguma areia. Mesmo ao lado existe um pequeno porto de pesca artesanal, com uma moderna rampa de varagem e câmara frigorífica e apresenta sempre um aspecto muito limpo, por se tratar de uma obra recente. Nesta zona, existe um bar com esplanada, que serve refeições, e dois balneários.

Beneficiando de um microclima favorável, a Caloura é um lugar de veraneio muito procurado. Oferece a oportunidade de um refrescante banho de mar nas águas transparentes do seu porto, galardoadas com o Programa Bandeira Azul. Daí ser considerada um paraíso junto ao mar.
O acesso é feito por uma estrada regional, tendo estacionamento com capacidade para 100 veículos. Aqui, realizam-se diversas actividades culturais durante o ano, sendo a mais relevante a Festa do Pescador, que atrai milhares de forasteiros à Caloura. Esta festa inclui festival de folclore e várias actividades náuticas.






O serviço de apoio no Porto da Caloura é composto por um nadador salvador e um vigilante, diversos equipamentos de salvamento, um pequeno porto com rampa de acesso para actividades náuticas (barcos e motas), contentores e papeleiras de lixo.

Ainda em Água de Pau, no Pico da Figueira, temos o Miradouro do Monte Santo, onde se pode desfrutar de um belíssimo panorama das redondezas. Mais acima, na Estrada Regional entre esta Vila e a freguesia da Ribeira Chã, encontra-se o Miradouro do Pisão, que oferece uma linda panorâmica sobre a região da Caloura e a costa sul da ilha de São Miguel.


Em Água de Pau, pode ainda passar pelo Jardim dos Anjos. Inicialmente construído nos anos sessenta, este tem passado por diversas remodelações, tendo sido a última em 1991. Situa-se em frente à Igreja Paroquial desta Vila.

A freguesia de Santa Cruz abriga o parque florestal Chã da Macela, com uma extensa área onde crescem várias espécies vegetais, umas endémicas (louro, queiró, urze, cedro do mato, uva da serra), outras introduzidas (araucárias, criptomérias, cedros, acácias, pinheiros).
Aqui, além da exuberante vegetação, pode admirar os animais que aí habitam e aproveitar para descansar nos verdejantes espaços de lazer.


O Jardim do Convento dos Franciscanos é um dos mais importantes pontos turísticos da freguesia de Santa Cruz.
No Rosário, no Largo do Porto dos Carneiros, situa-se a baía onde aportavam os primeiros barcos de pesca da Lagoa. Foi na zona do actual porto que antes do início do povoamento foi lançado gado na ilha, de modo a alimentar os futuros povoadores, daí o nome de Porto dos Carneiros.
Este local, que recentemente foi alvo de obras de beneficiação, apresenta uma arquitectura muito interessante, onde se destaca o bonito edifício “Mercado de Peixe”, actual Lota. É uma bonita zona de lazer com excelentes restaurantes.


Ainda no Rosário, aprecie um dos melhores complexos de piscinas da ilha de São Miguel – Complexo Municipal de Piscinas de Lagoa. Situado na Rua Cidade de New Bedford, este complexo surge como um verdadeiro “monumento” em homenagem a todos os que gostam do sol e do mar. Além de uma piscina coberta, possui piscinas naturais, uma piscina semi-olímpica, piscinas para crianças e excelentes infra-estruturas de apoio, como bar com esplanada, vestiários, sanitários e parque de estacionamento.

Trata-se de um conjunto de baixios que se estendem de forma irregular por cerca de 150 metros, numa zona em que a costa se apresenta bastante recortada e em que se fez o seu aproveitamento para espaço de lazer. É de salientar que esta não é uma obra de hoje. No local que deu origem ao actual Complexo de Piscinas já existia anteriormente a chamada Piscina Municipal, mas que em virtude do temporal a 26 de Dezembro de 1996, que causou avultados prejuízos, houve necessidade de se proceder a obras de recuperação. Este Complexo goza de uma adequada integração paisagística, possui excelentes condições técnicas e preserva as excepcionais condições costeiras, nomeadamente a qualidade das suas águas, que por isso mesmo tem alcançado ano após ano a Bandeira Azul. Por tudo isto, pode-se dizer que o Complexo Municipal de Piscinas na Lagoa usufrui de condições únicas, para que os amantes do sol e do mar possam passar os seus dias de férias de forma inesquecível. Ao sol, associa-se o cheiro da maresia, um céu azul, águas límpidas e transparentes que permitem um horizonte de emoções e pensamentos, num espaço que é rico em convívio e boa disposição.

A Praça de Nossa Senhora da Graça também é uma área de agradável permanência e lazer, existindo um anfiteatro ao ar livre, destinado a manifestações de âmbito cultural e recreativo.
Largo de Ville Sainte Thérèse, na Freguesia do Rosário, advém de um protocolo, realizado no ano de 1996, entre o Concelho da Lagoa e a Ville de Sainte Thérèse, no Canadá. Este largo simboliza a amizade existente entre as duas comunidades.


História da Lagoa - São Miguel - Açores - Portugal

A Lagoa começou a ser povoada pouco depois da descoberta da Ilha de S. Miguel. Os seus primeiros habitantes estabeleceram-se nos locais, onde mais tarde surgiram, as vilas de Lagoa e Água de Pau.

A Lagoa foi o local escolhido pela sua abrigada enseada, tornando-se desde cedo local de embarque e desembarque. Foi a partir do Porto dos Carneiros que foi lançado gado, incluindo carneiros, e outros animais na Ilha.


“A villa d’ALagoa, chamada assim por uma que teve defronte da porta da Egreja principal acima d’um recife e porto que tem onde podiam entrar bateis, na qual antigamente se tomou já muito pescado, por entrar ás vezes o mar nela, e bebia o gado e nadavam por passatempo algumas pessoas (…).”
Gaspar Fructuoso


O próprio nome de Lagoa é elucidativo de como os primeiros povoadores escolhiam lugares propícios à sua fixação. Nela encontraram água e um porto de abrigo.
Foi na zona da actual Igreja de Santa Cruz que os fundadores da Vila da Lagoa se fixaram (junto a uma lagoa ali existente, razão do nome atribuído ao povoado).
Ao longo do séc. XV, a população da ilha não cessa de aumentar e na Lagoa o seu povoado foi-se desenvolvendo para oeste, em direcção a uma baía que acolheu os primeiros barcos de pesca: o Porto dos Carneiros.




A leste da Vila de Lagoa foram-se fixando algumas famílias atraídas por prometedoras terras de cultivo e um excelente curso de água – Água de Pau.
A 11 de Abril de 1522 a Lagoa é elevada a Vila e sede de Concelho, altura em que já contava com 1600 habitantes e 300 habitações.


Em 1522 quando a Lagoa foi elevada a Vila era considerada uma das melhores regiões agrícolas da ilha, predominando as culturas de trigo, do pastel e do vinho. O seu porto desempenhava um papel importante na actividade económica (exportação de trigo e venda de peixe).
Entretanto, a introdução da cultura de laranja e a subsequente exportação para a Europa fez prosperar a Vila de Lagoa e Água de Pau. A construção de moradias intensifica-se assim como solares e capelas.


A prosperidade acentuou-se no séc. XIX quando a Vila de Lagoa viu surgir fábricas de cerâmica e destilação de álcool.
No séc. XX, surgiram novas fábricas, designadamente de óleo vegetal, sabão e de ração para animais.


A exploração agro-pecuária e a pesca também ganharam expressão no Concelho.
No final do séc. XX e na actualidade o sector terciário assume-se como o principal empregador do Concelho (58,2% da população activa) e o número de empresas deste sector sedeadas na Lagoa, cresceu na ordem dos 17,2%, de 2001 para 2004.
Na actualidade, pode-se afirmar que a Lagoa começa a despontar para o desenvolvimento turístico e as empresas de serviços começam a crescer em número e em importância na economia do Concelho.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Relevo e Morfologia - São Miguel - Açores - Portugal

A formação dos Açores está relacionada com a evolução geodinâmica do Atlântico Norte. O arquipélago posiciona-se na região onde contactam as placas litosféricas americana, euro-asiática e africana. As ilhas emergem de uma vasta plataforma triangular, com cerca de 5,8 milhões de Km2 (RIDLEY et al., 1974).



As ilhas dos Açores exibem aspectos geomorfológicos muito diversificados, consoante os tipos de erupções que estiveram na sua origem, a idade e consequente estado mais ou menos avançado dos processos de erosão (DREPA, 1988). O vulcanismo e a tectónica regional e local explicam a disposição e o alinhamento dos edifícios insulares; as formas de relevo reflectem os estilos eruptivos (efusivos e explosivos), a dinâmica evolutiva e a actuação dos agentes erosivos. Os níveis de alteração dependem da natureza dos materiais, da topografia das vertentes e das condições climáticas (NUNES, 1998).

A paisagem dos Açores é caracterizada, em traços gerais, por uma orografia vigorosa e movimentada, onde a elevada altitude está associada ao acidentado do relevo. As ilhas emergem bruscamente do oceano, apresentando grande desenvolvimento vertical. O interior montanhoso encontra-se sulcado por profundas ravinas, que rasgam as encostas até ao nível do mar.

As áreas planas são pouco desenvolvidas, sem grande representação no território insular. Os casos a destacar ocorrem em Santa Maria (sector Oeste), São Miguel (região de Ponta Delgada e Graben da Ribeira Grande) e Terceira (Graben da Praia da Vitória). As regiões planálticas têm alguma importância nas Flores (Planalto Central), Pico (Planalto da Achada) e na metade Oeste de São Miguel (Planalto dos Graminhais e Achada das Furnas).


A altitude máxima das ilhas é bastante variável, oscilando entre 402 m na Graciosa e 2 351 m na montanha do Pico, ponto mais alto de Portugal. A ilha do Pico constitui a ilha mais excêntrica em termos altimétricos com 16% da sua área acima dos 800m.

Uma das marcas mais impressionantes da paisagem das ilhas são as magníficas lagoas que se desenvolveram nas crateras de abatimento.

Fabrica de Chá Gorreana - São Miguel - Açores

Portugal parece ter ainda tesouros por descobrir. Um deles, do qual muitos portugueses nunca ouviram falar, é o Chá Gorreana. Esta apreciada bebida cultivada cá, mais concretamente na ilha de S. Miguel, nos Açores, foi durante muitos anos a única plantação de chá da Europa. Na actualidade, a fábrica Gorreana continua a produzir, apesar das muitas dificuldades (sempre ultrapassadas). A história da introdução do chá em S. Miguel, confunde-se com a da vida das famílias micaelenses.

Neste momento é a família Mota e, mais preponderantemente, Armando Mota, quem impulsiona a plantação. O chá aparece na ilha pelas mãos de Jacinto Leite (micaelense) por volta de 1820, que traz as sementes do Brasil. O seu cultivo foi depois incentivado pela Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, que, como resposta à crise da laranja (em meados do século passado), mandou vir em 1878, dois chineses para S.Miguel. Estes trouxeram mais semente para a plantação e ensinaram as complexas tarefas da sua preparação.

A plantação da Gorreana inicia a sua produção em 1874 e, em 1883, consegue o primeiro quilo de chá seco. Assim surge o chá Gorreana, pelas mãos de Hermelinda Pacheco Gago da Câmara. E apesar dos filhos que teve, o Gorrreana acaba por ficar para a sua neta Angelina. É ela que vem a casar com Jaime Hintze (s sua família, de origem alemã, veio para Portugal no século XVIII) que se entregou à plantação e proporcionou o seu crescimento. Jaime construiu ainda a Central hidroeléctrica; se não fosse esta medida, talvez o Gorreana não tivesse sobrevivido.



As outras plantações e fábricas não tinham este recurso, ficando apenas com a máquina a vapor. Isto tornou-se limitativo, tanto no preço da energia, como no recurso à mecanização, dado que só em meados dos anos sessenta houve distribuição de energia elétrica nas aldeias. Além disso, Jaime foi o primeiro fabricante Açoriano a conseguir a marca registada em pacotes.

O filho de Jaime e Argelina, Fernando, casa com Berta Ferreira Meireles. E continua a obra do pai, comprando grande parte das máquinas que, estão ainda em funcionamento. Mas vai mais mais longe e constrói uma central termoeléctrica, uma alternativa à hidroeléctrica. Fernando morre muito novo, deixando apenas uma filha, Margarida Hintze. Em 1966, Margarida casa com Hermano Mota.

O actual impulsionador do Gorreana, de 59 anos, já tinha estado ligado a esta planta, a sua família produzia o Chá Corte Real. Mas era apenas uma plantação e o seu pai pagava às fábricas a sua utilização. Quando todas fecharam, porque a produção de leite era mais fácil (devido à falta de electricidade), o Chá Corte Real acabou.


Toneladas e toneladas de chá.

O chá teve produções significativas nas primeiras décadas deste século. Na ordem das 700 toneladas por ano. No entanto, as restrições às trocas com o exterior, durante as duas grandes guerras, fizeram com que houvesse um maior investimento noutras culturas mais necessárias à subsistência . E o declínio da produção de chá foi inevitável. Dos anos 80 até há bem pouco tempo, a Gorreana era a única fábrica de chá da Europa. Mas em tempos houve cerca de 15 em S. Miguel.


Até 1976, vendia cerca de 80 toneladas ao Continente, mas um dia a casa que fazia a distribuição fechou e o Gorreana saíu do mercado. A fábrica já passou por diversas dificuldades, a mais recente foi quando apareceram as grandes superfícies, há cerca de dez anos. “Nos primeiros dois anos, prejudicaram bastante, a venda baixou quase 43%. Houve uma mudança de hábitos, as pessoas foram aliciadas por outros produtos, por outras bebidas, mais do que por outros chás. Com o tempo, a euforia parece ter passado e voltam agora ao chá. Conseguimos atingir os valores que tínhamos antes de aparecerem as grandes superfícies. E vendemos também para os hipermercados, mas mantém-se a nossa presença no mercado tradicional.”

Entretanto há cerca de um ano, surgiu a concorrência. Mas Hermano Mota não notou qualquer diferença nas vendas, “até é capaz de ajudar, visto que se fala mais no chá dos Açores,” Outro grande impulso tem sido o contacto directo dos clientes com a fábrica: “se não fossem as visitas à fábrica e o aumento considerável de turismo, julgo que já não haveria chá nos Açores. É mais uma venda. As pessoas passam a conhecer e o “passa-palavra” tem sido muito importante”. A venda directa na fábrica representa 5% das totais.


A plantação tem 32 hectares e, actualmente, a produção anda à volta das 33 toneladas por ano (mas tem capacidade para 40). Este ano o objectivo é chegar às 35. A maior fatia da produção destina-se ao consumo da Região, mas há ainda uma parcela de duas toneladas para o Continente, quatro para a Alemanha (o país da Europa onde o consumo de chá tem aumentado mais per capita), cerca de para os EUA e Canadá, e ainda perto de seiscentos quilos para a Áustria.

É preciso ter em conta que para os EUA e para o Canadá vai muito mais chá, que é levado pelos micaelenses, depois de passarem as suas férias na terra natal. O clima dos Açores ajuda a planta do chá – Camellia sinensis – porque lhe dá a água que ela precisa. “Temos chuvas bem distribuídas ao longo do ano. O chá precisa de pelo menos, 30 milímetros de água por mês.
Felizmente não temos geadas, que queimam as folhas e o sol não é demasiado intenso, há sempre umas nuvens”, explica o proprietário.

Além disso, o solo argiloso e ácido dá origem a um chá muito perfumado e de travo agradável. O Chá Gorreana é ainda apreciado por ser um produto ecológico, livre de pesticidas, herbicidas e fungicidas.

Nos países onde há a estação das chuvas, há mosquitos e a mosca do chá, que picam ou mordem o gomo terminal e a folha não se desenvolve. Daí que têm de fazer aplicações de insecticidas. Por outro lado, nos países da estação seca, há o aranhiço vermelho, que também tem de ser combatido com insecticidas. E às vezes ainda precisam de usar fungicidas. Nós não temos nem a estação seca nem a da chuva” explica Hermano Mota.

O chá é produzido pelo método Hysson (através de vapor) e é um chá “ortodoxo” ou “tradicional” - as folhas são enroladas e, depois de secas, a maioria está inteira. Segundo o proprietário, o chá tem “ um paladar mito agradável e um aroma mais forte do que a generalidade dos chás comercializados” Da fábrica sai o tradicional chá preto, o muito em voga chá verde e ainda, por encomenda, o semifermentado (soochong, oolong e poochong).

Dentro do chá preto há três variedades: o Orange Pekoe (feito do gomo terminal e a primeira folha), o Pekoe (da segunda folha) e o Broken Leaf (da terceira que é mais rija porque não enrolou). Dentro do verde, para além do mais comum, fazemos o chá pérola, muito semelhante ao Gun Powder (chinês), em que as folhas estão mais tempo no vapor e o enrolador enrola por si.


Um fenómeno curioso que Hermano Mota relata é a procura desenfreada pelo chá verde. Actualmente, a Gorreana já produz 12 toneladas por ano desta variedade. Até há cinco anos só eram feitos à volta de 700 kilos e apenas para consumo nas ilhas. Antigamente na Europa, praticamente só se bebia chá verde. Mas depois da II Grande Guerra, a imprensa divulgou alguns perigos do chá verde, porque era feito em máquinas de cobre.

E o chá preto veio substituí-lo. Recentemente começaram a aparecer os estudos que provam que os antioxidantes (presentes no chá) ajudam a prevenir o cancro. Hoje em dia, os cilindros onde se aquecem as folhas do chá com o vapor de água são de madeira.

Hermano Mota, o especialista, revelou qual o chá que escolhe para cada ocasião: “quando bebo o chá das cinco gosto do Orange Pekoe. Para pequeno-almoço e para acompanhar uma refeição (com os carapaus fritos, que é um prato muito típico cá em casa) prefiro o Pekoe. A seguir a uma grande festança e a uma comida farta, gosto do verde, que é muito digestivo”.

Este é, sem dúvida, um negócio de família, visto que conta com a ajuda de todos. Aos fins-de-semana, por exemplo, a tarefa de receber as visitas turísticas é repartida por todos. E a continuação do chá Gorreana parece já estar assegurada. Dos cinco filhos que tiveram, já dois se interessaram pela plantação. André, 32 anos, e Tiago, 24, são os entusiastas. O Tiago ainda estuda, mas dedica-se muito à fábrica. O André ocupa-se mais da exploração leiteira. Assim, garantem a continuação do tradicional chá dos Açores.


O chá das cinco.

Segundo uma lenda chinesa, o chá foi descoberto pelo imperador Shen-Nung por volta do ano 2737 a.C. No continente europeu a introdução do chá é claramente atribuída aos portugueses, em 1560, através das trocas comerciais que mantinham com Macau. E foi daqui que surgiu para outros países da Europa levado pela Companhia Holandesa das Índias Orientais. Também a Grã-Bretanha se tornou um país de enorme consumo através da influencia portuguesa. Foi a princesa Catarina de Bragança, mulher do rei D. Carlos II, uma grande apreciadora do chá, que, em 1662, o difundiu na corte inglesa. É ainda em terras que surge o hábito de beber o “chá das cinco”, impulsionado pela duquesa de Bedford, para eliminar uma sensação de fraqueza.

O Ananás da ilha de São Miguel - Açores - Portugal

A SUA HISTÓRIA
O ananás (Ananassa Sativus,Lindl) cultivado em estufas de vidro na ilha de São Miguel é originário da América Central e do Sul e foi introduzido nesta ilha, como planta ornamental, em meados do século XIX.A sua cultura visou primeiramente o abastecimento das casas abastadas, tendo as primeiras explorações de caracter comercial surgido em 1864. Com o correr dos anos este excepcional fruto transformou-se num verdadeiro ex-libris da região.Os concelhos de Ponta Delgada, Lagoa, Vila Franca a Ribeira Grande são em ordem decrescente os seus principais centros produtores, sendo a Fajã de Baixo a freguesia com maior número de estufas.


AS ESTUFAS
São de formato rectangular, cobertas de vidro caiado formando duas águas com a inclinação aproximada de 33 ° e aquecidas apenas pelo sol. Na parte superior da cobertura as janelas, ou "alboios", servem para regular a temperatura e a ventilação do interior da estufa. O interior da estufa divide-se em "tabuleiros", ou "canteiros", separados ao meio por um carreiro de pedra, estes por sua vez dividem-se em vãos (o espaço que vai de ferro a ferro de suporte da cobertura).

A CULTURA DO ANANÁS
1 ° período da cultura:
Nos "estufins", estufas mais pequenas, plantam-se as tocas a uma distancia de l0 cm entre cada uma e cobrem-se de terra. Regasse então diariamente nos primeiros quinze dias e depois em dias alternados. Nesta fase é importante não deixar a temperatura abaixo dos 26 ° C fazendo-a subir até aos 38 ° C. Ao fim de um mês os "brolhos" despontam desenvolvendo-se no estufim até seis meses sendo depois transplantados para as estufas.Tanto no estufim como na estufa é preparada uma "cama" para o enchimento dos tabuleiros. As camas fazem-se com a sobreposição de varias camadas de terra velha (já usada noutras estufas, rica em matéria orgânica), mondas (folhas de ananases, fetos, ervas, caruma de pinheiro), rama de incenseiro e farelo.

2 ° período da cultura:
Nas estufas o plantio dispõe-se de maneira a que cada planta fique a uma distancia de 50 a 60cm umas das outras. Após a plantação rega-se diariamente durante duas semanas, durante o crescimento do fruto as regas diminuem até se extinguirem na fase de maturação. 3 a 4 meses depois de plantada a estufa tem lugar a operação do "fumo". Esta operação, descoberta ocasionalmente, funciona como uma intoxicação o que obriga todas as plantas a florescerem ao mesmo tempo. Ao fim do dia (quatro a oito dias no verso, oito a quinze no inverno) queimam-se em recipientes próprios colocados no interior da estufa, aparas e verduras de modo a produzir um espesso fumo, no dia seguinte abrem-se as portas e os alboios para arejar.O período completo da cultura, que vai desde a plantação das tocas até ao corte do fruto tem a duração de 18 meses.

A gastronomia Tradicional - São Miguel - Açores - Portugal

As velhas receitas tradicionais mantêm-se em pratos suculentos, como o caldo azedo, couves solteiras, os fervedouros, o polvo guisado em vinho de cheiro, os torresmos em molho de fígado, as caldeiradas de peixe, o arroz de lapas, o ensopado de trutas, as lapas de molho Afonso, a que se deve juntar o sempre curioso cozido das Furnas, em que o tacho contendo as carnes e os legumes é enterrado envolto num saco para que o calor vulcânico actue, e passadas algumas horas está pronto a deliciar o paladar com o seu sabor.


Lagosta, cavaco, caranguejos e as estranhas cracas, escondidas nos orifícios que escavam nas pedras, satisfazem os apreciadores de mariscos. No que respeita a queijos, São Miguel oferece o branco e macio queijo de cabra fresco e o queijo da Ilha, de sabor picante quando seco.

A antiga doçaria conventual faz as delícias dos gulosos nas queijadas de Vila Franca do Campo, nos confeitos da Ribeira Grande, no bolo lêvedo das Fumas, na barriga-de-freira, massa sovada, bichos de amêndoa e compota de capucho, pequeno fruto de uma planta herbácea.

A região da Caloura produz vinho de cheiro, ou morangueiro, com perfume característico e pouco encorpado. Os licores de maracujá e de ananás são formas agradáveis de terminar uma refeição.

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