segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Igreja de Sao Nicolau - Sete Cidades - Sao Miguel - Acores - Portugal
Sete Cidades - Historia - Sao Miguel - Acores - Portugal
Sete Cidades tem uma escola do 1.º ciclo, uma igreja (São Nicolau), e um campo de futebol.
Situa-se esta freguesia na parte oeste da ilha de S. Miguel, nas Cumieiras da Bretanha. Dista cerca de 32 km da sede do concelho de Ponta Delgada e é limitada pelas freguesias da Bretanha, Remédios, Relva, Feteiras, Candelária, Ginetes e Mosteiros. Tal como a freguesia das Furnas, esta povoação localiza-se no interior de uma cratera, estendendo-se pela margem oeste da Lagoa Azul.Esta cratera é uma espécie de fosso de grande profundidade, de 12 km de circunferência, completamente fechada em toda a volta. No fundo, espraia-se água onde se reflecte o arvoredo que abunda nas vertentes.Apresenta este vale uma lagoa principal, maior que as restantes, conhecida por Lagoa Azul, e outra, a sul, conhecida por Lagoa Verde, seguindo-se outras lagoas ou caldeiras menores: a de Santiago, a Rasa e a do Alferes. Junto à margem da lagoa maior, destaca-se uma povoação de casas brancas.
O solo, extremamente poroso, permite o escoamento das águas através das fendas do basalto. Todavia, não sendo suficiente este escoamento, foi construído um túnel que garante a estabilidade do nível da água. Sete Cidades emergiu das entranhas de um vulcão, cujo cone gigantesco a isola do mar e do mundo. Foi em consequência dos grandes cataclismos sísmicos verificados em 1444, que se formou a sua bacia hidrográfica. O nível das águas das lagoas está aproximadamente a 251 metros do nível do mar, sendo de 19 metros, a sua maior profundidade.

O primeiro documento que menciona os Açores como terra já descoberta, foi passado em 1439 pela chancelaria de D. Afonso V, inferindo-se da sua leitura o intuito de mandar povoar as ilhas, para o que já fizera o trabalho preliminar da distribuição dos animais necessários à alimentação do homem, tendo ficado ligado a esta tarefa o nome de Frei Gonçalo Velho, primeiro capitão donatário das ilhas de Santa Maria e S. Miguel.
Todavia, o povoamento de S. Miguel só teve lugar a partir de 1474, isto é, depois de Rui Gonçalves da Câmara ter comprado a capitania da ilha a João Soares de Albergaria, em grande parte devido às dificuldades de comunicação com o Continente e porque os portugueses procediam aos primeiros ensaios de navegação no mar alto.
Assim, com ampla experiência colonizadora adquirida na Madeira, foi ele quem promoveu a vinda de colonos e quem procedeu à divisão e distribuição das terras, para serem arroteadas e cultivadas.
Segundo reza a tradição, os descobridores aportaram a um lugar que se haveria de chamar, mais tarde, Povoação Velha. Continuaram depois até Vila Franca do Campo, para finalmente chegarem a Ponta Delgada.
Inicialmente, esta povoação foi um pequeno povoado de pescadores atraídos pelas suas seguras enseadas. Assim, o povoamento da ilha de S. Miguel processou-se a partir do litoral, sendo, portanto, desabitado, nos primeiros tempos, todo o seu interior. Tal também aconteceu a Sete Cidades.
Lagoa das Sete Cidades - Acores - Sao Miguel - Portugal
Após uma fase de reposo, de cerca de 10 000 anos estes aparelhos vulcânicos entraram em actividade no fundo da caldeira.. Pode-se distinguir a partir de norte para sul e no sentido contrário dos ponteiros do relógio: Seara(5 000 B.P.), Caldeira do Alferes(4 000 B.P.) Caldeira Seca(em 1 444 B.P.)(estes dois compostos de Traquiticos apresentam uma ligeiramente picos com uma cavidade sugerindo um lago). Segundo outra fonte o cone de escórias de Cerrado das Freiras situado a este do Lago Azul ter-se-á formado em 1444.A actividade extra-caldeira das Sete Cidades manifestou-se com pequenas emissões de lava, as mais recentes encontram-se a oeste da Ilha de São Miguel: Ponta da Ferraria(840 B.P) e no Pico das Camarinhas (1713)
Segundo outras fontes(Forjaz,1997) após um estudo histórico das erupções, estas podem-se ter dado em 1439 e 1460, mas não existe nenhuma referência á erupção de 1444. No final de 1713, a erupção do pico de Camarinhas que formou a ponta de Ferraria. Á pouco tempo a zona vulcânica das Sete Cidades apresentou uma crise sísmica em Junho de 1998 que culminou na noite de 2 para 3 de Agosto com 120 sismos registados em três horas.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
As Lendas das Sete Cidades - Açores
Uma lenda muito simples, mas cheia de poesia , fala-nos do antigo reino das Sete cidades, cujos Reis possuíam uma filha muito linda. Essa princesa amava a vida campestre, motivo porque andava muito pelos campos, contemplando montes e vales, aldeias e costumes. Um belo dia encontrou um jovem pastor. Conversou demoradamente com ele e, dessa conversa nasceu o amor. Passaram, por esse motivo, a encontrar-se todos os dias, jurando amor e afeição mútua. Mas a Princesa tinha o destino marcado porque um Príncipe, herdeiro de outro reino, pretendia a sua mão. Havia, pois que suspender o devaneio com o pastor. Assim foi a Princesa proibida de se encontrar com ele, embora lhe consentissem uma despedida. Mas, ao encontrarem-se pela última vez, choraram ambos, tanto, tanto, que aos seus pés se formaram duas lagoas: - uma azul, feita das lágrimas derramadas dos olhos azuis da linda Princezinha; outra, verde, devido às lágrimas caídas dos olhos verdes do jovem pastor. Os dois namorados se separaram para todo o sempre, mas as lagoas feitas das lágrimas de ambos, essas jamais se separaram.
Outra lenda acerca da famosa região é a que nos fala de um reino da velha Atlântida, e que tinha como monarca o Rei Brancopardo e a Rainha Branca-Rosa. Ambos viviam no desgosto de não ter filhos. Uma bela noite, o Rei teve uma visão que lhe prometeu a vinda de uma filha muito linda, mas com a condição de só a verem quando completasse vinte anos. Até lá, a Princesa viveria em Sete Cidades, que o Rei, seu pai, mandaria construir. Brancopardo cumpriu o determinado:- mandou construir as cidades, enviou a princesa para as mesmas, sem a ter visto sequer - e aguardou que os vinte anos se completassem. Mas não pôde, coitado, chegar, ao fim de todo esse tempo. A ansiedade por ver a filha chegou ao ponto de lhe não caber no peito e, desafiando os deuses, caminhou para as Sete Cidades. Aí não o deixariam abrir os portões da muralha. E, no precioso momento em que ele os arrombava, um tremendo cataclismo vulcânico subverteu todo o reino. As Sete Cidades onde a princesa vivia ficavam precisamente onde hoje se abre a concha do maravilhoso vale. No fundo da Lagoa Verde ainda estarão os sapatinhos verdes que a princesa trazia nos pés, e, no fundo da Lagoa Azul, também estará o chapeuzinho azul que ela trazia na cabeça...
Quando Tarik e Musa invadiram a Península Ibérica, sete bispos Cristãos se teriam refugiado numa remota ilha - a Antília, ou Ilha das Sete Cidades. O desejo de alcançar essa ilha, tornar-se-ia, pouco depois, uma das maiores preocupações do Homem. Para o Oriente ficava o reino do Preste-João ; para o Ocidente, a Antília, até que um navio português - "Nossa Senhora da Penha de França" - depois de uma grande tempestade, aportou a ilha maravilhosa, onde esteve fundeado três dias. Dois frades teriam ido a terra, contactado com o Monarca, visitado palácios, deparado com tipos, costumes e linguagem muito semelhante aos dos portugueses. Ao fim dos três dias, mal os dois religiosos regressaram a bordo, a ilha desapareceu, como por encanto. Muitos anos mais tarde, o mesma ilha acabaria por revelar-se definitivamente aos portugueses.
Acaso ainda hoje, a visão deslumbrante do Vale das Sete Cidades não aparece e desaparece, como região sobre que pairam, na verdade, a luz e a névoa de um estranho mistério ?

Eufémia era jovem e formosa, filha do Rei Atlas e neta de Júpiter. A sua alma era tão bela, como o seu corpo e o seu espírito andava sempre tão alto que não quis casar com nenhum dos dez filhos de Netuno, monarca de outros tantos reinos de Atlântida.
Mas Eufémia foi abrasada, já no outro mundo, pela Fé Cristã, pelo que desejou voltar à Terra, para espalhar o bem: E o seu desejo foi satisfeito.
Puseram numa ilha, chamada das Sete Cidades, onde a miséria e a dor desapareceram de todo. Decorridos tantos séculos, há quem acredite que a bela Eufémia habita ainda a ilha, transformada numa Solanácia, cujas folhas têm excelente aplicação medicinal. "Aquele que beber deste mágico filtro espiritual fica curado das suas mágoas, defendido dos seus infortúnios". Haverá, acaso, alguém que queira abalançar-se a desencantar a bela Eufémia, ainda agora transformada em erva bem-fazeja nos matos das Sete Cidades?
Genádio tivera uma mocidade de aventuras. Filho mimado e rico, possuía, além do mais, poderes especiais de migromante. Mas, certo dia, Genádio foi levado a mudar de vida. Fez-se padre e anacoreta, consagrando toda a sua existência ao Senhor. Tempos depois a fama das suas virtudes chegou ao conhecimento do Sumo Pontífice que o fez bispo, e mais tarde, arcebispo. Uma noite puseram-lhe uma criança recém-nascida junto da porta da Sé. Era uma linda menina, que logo foi recolhida. Rodeada de todos os carinhos, foi educada como princesa.
E chegou a altura das hostes de Mafamede invadirem a Península. E então que o arcebispo Genádio reúne os seus bispos, prepara uma frota e faz-se ao mar levando consigo a sua menina. Vão todos desembarcar numa ilha onde cada um dos referidos bispos funda sua cidade.
Entretanto a menina cresce. Cresce e sonha. Sonha e espera. As suas confidências pare com as aias chegam ao conhecimento do Arcebispo. Este, cioso da pureza da jovem, prepara-se para a defender de quem a possa pretender. E recorre as sues antigas práticas de malas-artes, conseguindo que a ilha se oculte a quem dela se aproximar. Mas uma certa manhã, eis que surge uma caravela rumando para a ilha e que traz desenhada nas velas a Cruz de Cristo.
Os sacerdotes oram nos túmulos. E quando a caravela já está perto da terra, Genádio recorre aos extremos do seu satânico poder. E a formosa ilha transforma-se em enorme vulcão cuja cratera é a própria região das Sete Cidades onde os bispos de Genádio haviam fundado as suas dioceses.
A última lenda do ciclo das Sete Cidades é o romance da Ilha Encantada onde os marinheiros portugueses teriam aportado, aí deparando com cidades cheias de palácios sumtuosos. Os habitantes da terra, e os seus visitantes mutuamente se admiraram, mas eles temendo uma emboscada daqueles, depressa se fizeram ao mar, indo contar ao Infante tudo quanto haviam visto.
Tomados de grande entusiasmo, os portugueses organizam então uma grande armada e rumam de novo à ilha encantada. Mas quando aí chegam, nem cidades, nem palácios, nem habitantes. Só a ilha existia, formosa como sempre. No extremo ocidental, em vez das cidades, apenas um abismo enorme tendo ao fundo dois lindíssimos lagos.


