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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Santa Cruz - São Miguel - Açores - Portugal

A freguesia de Santa Cruz situa-se na costa sul da ilha de São Miguel. Confronta com as freguesias do Rosário, Cabouco e Água de Pau. Constitui, com o Rosário, a Vila da Lagoa. Apresenta uma área de 14,26 Km2, integrando o lugar dos Remédios.
A sua população é constituída por 3501 habitantes, de acordo com os censos de 2001.
Foi na zona da actual igreja de Santa Cruz que os fundadores da Vila da Lagoa se fixaram, junto a uma lagoa então aí existente e que viria a dar nome ao povoado.


Celebra a sua festa religiosa no primeiro domingo de Agosto, em honra ao Santíssimo.
Anualmente, a 13 de Junho, realizam-se as tradicionais festas de Santo António, promovidas pela Junta de Freguesia. A maior atracção destas festas são as marchas, que contam com a participação da juventude da freguesia e das escolas do Concelho. Esta, sendo uma das maiores festas populares, atrai todos os anos diversos forasteiros.
É nesta freguesia que se situa o Edifício dos Paços do Concelho, mais concretamente no Largo D. João III.

Nossa Senhora do Rosário - São Miguel - Açores

A freguesia do Rosário situa-se na costa sul de São Miguel. Confronta com os concelhos de Ponta Delgada e Ribeira Grande e com as freguesias de Cabouco e Santa Cruz. Apresenta uma área de 5,92 Km2, integrando o lugar da Atalhada. De acordo com os censos de 2001, a sua população é constituída por 5401 habitantes.


Esta freguesia constitui, junto com Santa Cruz, a Vila da Lagoa.

No primeiro domingo de Julho, nesta freguesia, celebra-se o dia do Sagrado Coração de Jesus. O dia de Nossa Senhora do Rosário é festejado no segundo domingo de Outubro. Salienta-se ainda a Festa da Juventude, no Porto dos Carneiros, no terceiro fim-de-semana de Julho. Trata-se de uma festa dedicada à juventude, onde não faltam as barraquinhas de comes e bebes e muita música.

No lugar da Atalhada, a festa religiosa é celebrada no primeiro domingo de Setembro – Nossa Senhora das Necessidades.

Ribeira Chã - História - São Miguel - Portugal

A freguesia de Ribeira Chã fica situada na costa sul da ilha de São Miguel, a cerca de 10 km da Vila da Lagoa. Confronta com o mar e com as freguesias de Água de Pau e Água D’Alto (Concelho de Vila Franca do Campo). Apresenta uma área de 2,52 Km2 e a sua população é composta por 366 habitantes, de acordo com os resultados dos censos de 2001. O seu nome advém da ribeira que corre nas suas proximidades e que desagua no mar, por uma grota coberta de lajes rasas.
Inicialmente, a Ribeira Chã pertencia à Vila de Água de Pau. No entanto, foi elevada a freguesia a 18 de Maio de 1966. Nesta freguesia, podem-se visitar diferentes museus, onde é evidenciada a religiosidade e as vivências rurais do seu povo. A sua igreja, construída pelo povo e com o auxílio dos Viscondes da Praia, foi inaugurada em 1967.No primeiro domingo de Agosto, a população desta freguesia festeja a sua festa religiosa – Santíssimo Sacramento.

Água de Pau - História - São Miguel - Açores - Portugal


Água de Pau é uma freguesia do concelho da Lagoa, com 17,43 km² de área e cerca de 4000 habitantes. Densidade: 179,1 hab./km².
No contexto do povoamento dos Açores é muito antiga esta freguesia, sendo elevada a esta categoria em 28 de Julho de 1500. Foi destruída a sua igreja pelo terramoto de 1522, iniciando-se a reconstrução em 10 de Novembro de 1525. A primitiva igreja foi condecorada por D. Manuel I, em 1521, com o hábito de Cristo. Água de Pau, freguesia do Concelho da Lagoa com 4000 habitantes, fica situada na costa Sul da Ilha de São Miguel, a cerca de 17 km de Ponta Delgada e a 7 km da sede do concelho.

A fixação dos primeiros habitantes em Água de Pau terá ocorrido devido à existência de nascentes de água potável, por ser atravessada por uma ribeira que serviu a localidade como fonte de energia e, por último, devido ao facto de as suas terras serem férteis e abrigadas. No século XVI, a principal cultura terá sido a do pastel, enquanto que na zona do Paul existiam "pomares de muita fruta" e na Caloura predominavam a vinha e as figueiras.
Hoje, grande parte da sua população dedica-se à agropecuária e à agricultura, sendo também de registar o número daqueles que têm a sua ocupação na construção civil, nos serviços e no comércio. O artesanato tem forte implantação na localidade, sendo de realçar os trabalhos em vime e de tecelagem.

A 28 de Julho de 1515, por carta régia de D. Manuel I, Água de Pau foi elevada a Vila. Trezentos e trinta e oito anos depois "devido à falta de recursos e de elementos indispensáveis para poder continuar a ter uma administração regular", o concelho de Água de Pau foi extinto por força do decreto de 19 de Outubro de 1853.

Do ponto de vista cultural destaca-se a criação, em 1859, da primeira banda de música da localidade "A União". A "Fraternidade Rural", banda ainda hoje existente, foi criada em 1867 com a designação de "Estímulo Artístico". Hoje, é grande o dinamismo da comunidade pauense na área da cultura, com a actividade das seguintes entidades: o Grupo Jovem Pauense, a Associação Musical "Os Amigos da Paz", o Grupo Musical "Lua Nova", o Grupo "Amantes da Musica", o Grupo de Escoteiros nº 97 da Vila de Água de Pau e ainda o Grupo "Luar de Agosto".

A Vila de Água de Pau,integrava o povoado de Ribeira Chã. O concelho foi extinto em 1853 e o seu território incorporado no concelho da Lagoa. Pelo Decreto Legislativo Regional n.º 29/2003/A, de 24 de Junho, a freguesia de Água de Pau reforçou a categoria de “vila”, que jamais perdeu, tendo perdido o estatuto de concelho mas nunca lhe fora retirado o título de vila.
Além da igreja matriz, teve ainda as Igrejas de Nossa Senhora da Ajuda, Nossa Senhora de Monserrate, São Pedro, Nossa Senhora do Rosário, São Sebastião, Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora da Conceição, a maioria já desaparecidas.

Locais de Interesse na Lagoa - São Miguel - Açores - Portugal

O Concelho de Lagoa proporciona aos amantes da natureza uma excelente oferta paisagística, constituindo no seu todo, um óptimo cartão de visita, impressionando todos os que por aqui passam.

O ex-libris turístico do Concelho é constituído pelo lugar da Caloura. Vinhedos entre muros de pedra negra, o típico porto protegido pela alta falésia de rochas vulcânicas e o conventinho caiado de branco, fazem as delícias dos seus visitantes. Não se trata de uma praia, mas sim de um porto, com uma piscina natural e vários acessos ao mar por escadas e cobiçada pelas suas águas límpidas. O fundo do mar é coberto por cascalho e alguma areia. Mesmo ao lado existe um pequeno porto de pesca artesanal, com uma moderna rampa de varagem e câmara frigorífica e apresenta sempre um aspecto muito limpo, por se tratar de uma obra recente. Nesta zona, existe um bar com esplanada, que serve refeições, e dois balneários.

Beneficiando de um microclima favorável, a Caloura é um lugar de veraneio muito procurado. Oferece a oportunidade de um refrescante banho de mar nas águas transparentes do seu porto, galardoadas com o Programa Bandeira Azul. Daí ser considerada um paraíso junto ao mar.
O acesso é feito por uma estrada regional, tendo estacionamento com capacidade para 100 veículos. Aqui, realizam-se diversas actividades culturais durante o ano, sendo a mais relevante a Festa do Pescador, que atrai milhares de forasteiros à Caloura. Esta festa inclui festival de folclore e várias actividades náuticas.






O serviço de apoio no Porto da Caloura é composto por um nadador salvador e um vigilante, diversos equipamentos de salvamento, um pequeno porto com rampa de acesso para actividades náuticas (barcos e motas), contentores e papeleiras de lixo.

Ainda em Água de Pau, no Pico da Figueira, temos o Miradouro do Monte Santo, onde se pode desfrutar de um belíssimo panorama das redondezas. Mais acima, na Estrada Regional entre esta Vila e a freguesia da Ribeira Chã, encontra-se o Miradouro do Pisão, que oferece uma linda panorâmica sobre a região da Caloura e a costa sul da ilha de São Miguel.


Em Água de Pau, pode ainda passar pelo Jardim dos Anjos. Inicialmente construído nos anos sessenta, este tem passado por diversas remodelações, tendo sido a última em 1991. Situa-se em frente à Igreja Paroquial desta Vila.

A freguesia de Santa Cruz abriga o parque florestal Chã da Macela, com uma extensa área onde crescem várias espécies vegetais, umas endémicas (louro, queiró, urze, cedro do mato, uva da serra), outras introduzidas (araucárias, criptomérias, cedros, acácias, pinheiros).
Aqui, além da exuberante vegetação, pode admirar os animais que aí habitam e aproveitar para descansar nos verdejantes espaços de lazer.


O Jardim do Convento dos Franciscanos é um dos mais importantes pontos turísticos da freguesia de Santa Cruz.
No Rosário, no Largo do Porto dos Carneiros, situa-se a baía onde aportavam os primeiros barcos de pesca da Lagoa. Foi na zona do actual porto que antes do início do povoamento foi lançado gado na ilha, de modo a alimentar os futuros povoadores, daí o nome de Porto dos Carneiros.
Este local, que recentemente foi alvo de obras de beneficiação, apresenta uma arquitectura muito interessante, onde se destaca o bonito edifício “Mercado de Peixe”, actual Lota. É uma bonita zona de lazer com excelentes restaurantes.


Ainda no Rosário, aprecie um dos melhores complexos de piscinas da ilha de São Miguel – Complexo Municipal de Piscinas de Lagoa. Situado na Rua Cidade de New Bedford, este complexo surge como um verdadeiro “monumento” em homenagem a todos os que gostam do sol e do mar. Além de uma piscina coberta, possui piscinas naturais, uma piscina semi-olímpica, piscinas para crianças e excelentes infra-estruturas de apoio, como bar com esplanada, vestiários, sanitários e parque de estacionamento.

Trata-se de um conjunto de baixios que se estendem de forma irregular por cerca de 150 metros, numa zona em que a costa se apresenta bastante recortada e em que se fez o seu aproveitamento para espaço de lazer. É de salientar que esta não é uma obra de hoje. No local que deu origem ao actual Complexo de Piscinas já existia anteriormente a chamada Piscina Municipal, mas que em virtude do temporal a 26 de Dezembro de 1996, que causou avultados prejuízos, houve necessidade de se proceder a obras de recuperação. Este Complexo goza de uma adequada integração paisagística, possui excelentes condições técnicas e preserva as excepcionais condições costeiras, nomeadamente a qualidade das suas águas, que por isso mesmo tem alcançado ano após ano a Bandeira Azul. Por tudo isto, pode-se dizer que o Complexo Municipal de Piscinas na Lagoa usufrui de condições únicas, para que os amantes do sol e do mar possam passar os seus dias de férias de forma inesquecível. Ao sol, associa-se o cheiro da maresia, um céu azul, águas límpidas e transparentes que permitem um horizonte de emoções e pensamentos, num espaço que é rico em convívio e boa disposição.

A Praça de Nossa Senhora da Graça também é uma área de agradável permanência e lazer, existindo um anfiteatro ao ar livre, destinado a manifestações de âmbito cultural e recreativo.
Largo de Ville Sainte Thérèse, na Freguesia do Rosário, advém de um protocolo, realizado no ano de 1996, entre o Concelho da Lagoa e a Ville de Sainte Thérèse, no Canadá. Este largo simboliza a amizade existente entre as duas comunidades.


História da Lagoa - São Miguel - Açores - Portugal

A Lagoa começou a ser povoada pouco depois da descoberta da Ilha de S. Miguel. Os seus primeiros habitantes estabeleceram-se nos locais, onde mais tarde surgiram, as vilas de Lagoa e Água de Pau.

A Lagoa foi o local escolhido pela sua abrigada enseada, tornando-se desde cedo local de embarque e desembarque. Foi a partir do Porto dos Carneiros que foi lançado gado, incluindo carneiros, e outros animais na Ilha.


“A villa d’ALagoa, chamada assim por uma que teve defronte da porta da Egreja principal acima d’um recife e porto que tem onde podiam entrar bateis, na qual antigamente se tomou já muito pescado, por entrar ás vezes o mar nela, e bebia o gado e nadavam por passatempo algumas pessoas (…).”
Gaspar Fructuoso


O próprio nome de Lagoa é elucidativo de como os primeiros povoadores escolhiam lugares propícios à sua fixação. Nela encontraram água e um porto de abrigo.
Foi na zona da actual Igreja de Santa Cruz que os fundadores da Vila da Lagoa se fixaram (junto a uma lagoa ali existente, razão do nome atribuído ao povoado).
Ao longo do séc. XV, a população da ilha não cessa de aumentar e na Lagoa o seu povoado foi-se desenvolvendo para oeste, em direcção a uma baía que acolheu os primeiros barcos de pesca: o Porto dos Carneiros.




A leste da Vila de Lagoa foram-se fixando algumas famílias atraídas por prometedoras terras de cultivo e um excelente curso de água – Água de Pau.
A 11 de Abril de 1522 a Lagoa é elevada a Vila e sede de Concelho, altura em que já contava com 1600 habitantes e 300 habitações.


Em 1522 quando a Lagoa foi elevada a Vila era considerada uma das melhores regiões agrícolas da ilha, predominando as culturas de trigo, do pastel e do vinho. O seu porto desempenhava um papel importante na actividade económica (exportação de trigo e venda de peixe).
Entretanto, a introdução da cultura de laranja e a subsequente exportação para a Europa fez prosperar a Vila de Lagoa e Água de Pau. A construção de moradias intensifica-se assim como solares e capelas.


A prosperidade acentuou-se no séc. XIX quando a Vila de Lagoa viu surgir fábricas de cerâmica e destilação de álcool.
No séc. XX, surgiram novas fábricas, designadamente de óleo vegetal, sabão e de ração para animais.


A exploração agro-pecuária e a pesca também ganharam expressão no Concelho.
No final do séc. XX e na actualidade o sector terciário assume-se como o principal empregador do Concelho (58,2% da população activa) e o número de empresas deste sector sedeadas na Lagoa, cresceu na ordem dos 17,2%, de 2001 para 2004.
Na actualidade, pode-se afirmar que a Lagoa começa a despontar para o desenvolvimento turístico e as empresas de serviços começam a crescer em número e em importância na economia do Concelho.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

História Completa - Açores - Portugal

Os Açores são um arquipélago descoberto e povoado por portugueses no princípio do século XV.

O Arquipélago é constituído por nove ilhas situadas a um terço do caminho entre a Europa e a América do Norte.

Localizado sobre a dorsal médio-atlântica (conjunto de falhas que separam as placas tectónicas da Europa e da América), os Açores têm o único vulcão activo (presentemente adormecido) do território nacional, bem como vários vulcões submarinos e o ponto mais alto do País - o Pico (2 351 m).

Possuem ainda um dos mais belos lagos em crateras vulcânicas - a Lagoa das Sete Cidades.

Uma das suas ilhas, o Pico, onde durante séculos se caçaram baleias por métodos artesanais, é hoje um local de importância mundial para a observação e estudo destes mamíferos marinhos.

Embora desconhecendo-se a data precisa da descoberta do arquipélago dos Açores, os relatos históricos apontam Santa Maria e São Miguel como as primeiras ilhas a serem reconhecidas, por volta do ano de 1427, pelo navegador português Diogo de Silves, que terá feito um primeiro reconhecimento do seu litoral.

Anos mais tarde, a 15 de Agosto de 1432, dia da Assunção de Nossa Senhora, Gonçalo Velho Cabral, com a dúzia de tripulantes que consigo trazia na minúscula caravela com que atravessara as águas do oceano, chega e desembarca na ilha a que daria o nome de Santa Maria, em homenagem à Virgem Santa.

O povoamento da ilha, a primeira dos Açores a ser povoada, deu-se no ano de 1439, fixando-se os primeiros povoadores na Praia dos Lobos, ao longo da Ribeira do Capitão. Mais tarde e com o intuito de dar novo impulso ao povoamento da ilha, João Soares de Albergaria, sobrinho do primeiro capitão-donatário de Santa Maria, Gonçalo Velho, e seu herdeiro, traz para ela algumas famílias do continente, sobretudo do Algarve, registando-se assim um grande desenvolvimento da ilha, o que leva à concessão do primeiro foral de vila nos Açores, ficando a respectiva localidade conhecida como Vila do Porto, ainda hoje o mais importante e principal centro urbano da ilha.


Gaspar Corte Real

Foi em Santa Maria que Cristovão Colombo fez escala, no regresso da sua primeira viagem à América, em 1493, desembarcando perto do lugar dos Anjos a fim de cumprir uma promessa feita em alto mar, a de ouvir missa numa igreja de devoção a Nossa Senhora, na primeira terra que a encontrasse. Após o desembarque, tendo sido tomado por pirata, foi feito prisioneiro às ordens do Governador da ilha, só sendo libertado após esclarecer as verdadeiras razões da sua escala.
Quanto ao povoamento de São Miguel os relatos apontam o seu início para o ano de 1444, por Gonçalo Velho Cabral, desembarcando os seus povoadores no lugar da Povoação, oriundos sobretudo da Estremadura, Alto Alentejo, Algarve e mesmo alguns estrangeiros, nomeadamente franceses, espalhando-se depois, com o correr dos anos, ao longo de toda a zona costeira da ilha e fixando-se nos locais de melhor acessibilidade e que melhores condições e facilidades de vida ofereciam, essencialmente no que se referia ao aproveitamento do solo.

A fertilidade deste, aliada à priveligiada posição geográfica das ilhas no meio do Atlântico, rapidamente contribuiram para uma forte expansão económica de São Miguel através, da produção do trigo que se exportava para abastecimento das guarnições portuguesas das praças do Norte de África, do fabrico do açúcar de cana e da exportação para a Flandres das plantas tintureiras do pastel e da urzela. Mais tarde, a grande proliferação de laranjais traz para a ilha significativa riqueza pela exportação de laranja, cujo principal mercado era a Inglaterra.

Almeida Garett


Palco nos finais do séc.XVI e princípios do séc.XVII de ataques de corsários franceses, ingleses e argelinos, em 1582 São Miguel é ocupada por tropas espanholas, após a derrota, em frente a Vila Franca do Campo, duma esquadra francesa em que também combatiam tropas portuguesas de apoio a D.António, prior do Crato, pretendente ao trono de Portugal então vago, só recuperando a sua condição de território português livre após a Restauração da Independência Nacional, em Dezembro de 1640.

A primeira capital de São Miguel foi Vila Franca do Campo, que perdeu essa condição após ter sido soterrada na sequência de um violento terramoto sentido em 1522, surgindo em sua substituição Ponta Delgada, localidade situada cerca de 25 Km para leste, já então sede de município e que, em 1546, viria a tornar-se na primeira cidade da ilha. Já nos nossos dias, mais propriamente em 1981, a Ribeira Grande, povoação que em 1507 recebera de D. Manuel o foral de vila e que se localiza na costa norte de São Miguel a 18 Km de Ponta Delgada, é elevada à categoria de cidade.

A terceira ilha dos Açores a ser descoberta designava-se inicialmente por Ilha de Jesus Cristo, adoptando, posterior e definitivamente, o nome de Terceira. A concessão da sua capitania foi feita pelo Infante D.Henrique ao flamengo Jácome de Bruges que, por volta de 1450, iniciou o seu povoamento, fixando-se os primeiros povoadores nas áreas de Porto Judeu e Praia da Vitória e estendendo-se posteriormente, tal como acontecera em São Miguel, a toda a periferia da ilha. A Terceira representa um marco importante na História de Portugal pois, aquando da sucessão ao trono português do rei Filipe II de Espanha em 1580, tomou firmemente o partido de D.António, prior do Crato, pretendente àquele trono. Resistindo galhardamente à tentativa de conquista da ilha pelos espanhóis, em 1581 o primeiro desembarque das tropas de Filipe II é totalmente derrotado na célebre batalha da Salga. Porém, dois anos mais tarde e após violentos combates, não consegue resistir a novo ataque da tropa espanhola, agora com um contingente muito superior comandado por D. Álvaro de Bazan, que ocupa a ilha, tornando-se assim esta na última parcela do território português a render-se à soberania espanhola.


Monumento aos baleeiros, em São Roque do Pico.


Durante o período em que esteve sob o domínio filipino, de 1583 a 1640, a Terceira que já então detinha posição de destaque como entreposto marítimo das rotas das Índias, adquire renovada importância como porto de escala dos galeões espanhóis que, do Perú e do México, transportavam fabulosas riquezas em ouro e prata, em direcção a Cádiz, privilegiando por isso o Império Espanhol as suas relações com a Ilha, naquela época. Na primeira metade do séc.XIX, a Terceira volta a assumir papel preponderante na História portuguesa: apoiando desde 1820 a causa liberal, em 1829 os Absolutistas são dominados após violenta batalha travada na baia da Vila da Praia, em que as tropas miguelistas foram derrotadas quando tentavam desembarcar na ilha.

A Vila da Praia passara por isso, a chamar-se Praia da Vitória e Angra, pelo espírito de sacrifício e patriotismo demonstrados recebe a designação de Angra do Heroísmo. A regência do reino é instalada em Angra e depois da conquista das restantes ilhas para a causa da Terceira, partem em direcção ao continente, em 1832, a armada e o exército que, desembarcando no Mindelo, proclamam a Carta Constitucional em todo o País. Angra do Heroísmo, a primeira cidade a ser criada nos Açores, em 1534 e sede da diocese açoriana, possui um património arquitectónico de grande valor, o que lhe mereceu ver incluída na lista do Património Mundial da UNESCO uma vasta zona de 6 Km2 (1983).



D. Dinis - Protectoros Navegantes - São Roque

O seu rico património sofreu duro golpe ao ser grandemente destruído por um violento sismo ocorrido em 1 de Janeiro de 1980, mas a forte determinação dos responsavéis pelo sua reconstrução levou a que os edifícios e monumentos então danificados, mantenham hoje a sua traça inicial.
Praia da Vitória, centro urbano situado na costa Leste da Terceira, a cerca de 22 Km de Angra, onde se localiza um amplo porto oceânico e, a 3 Km, um importante e estratégico aeroporto, com funções civis e militares, recebeu o título de cidade em 1981. Não existindo dados precisos sobre a data do descobrimento da Graciosa, é muito provavél que esta ilha tivesse sido pela primeira vez localizada por mareantes da vizinha Terceira, que lhe fica a 31 milhas marítimas para sudeste, por volta do ano de 1450. Iniciou o seu povoamento, também em data não determinada, Vasco Gil Sodré, um continental natural de Montemor-o-Velho que, com sua mulher, filhos e criados aportou ao Carapacho, local onde se fixou e construiu a sua casa, daí partindo para o desbravamento da ilha, no que foi pioneiro.

Não obstante ter construído uma alfândega e feito outras diligências para que lhe fosse doada a capitania da ilha, a Pedro Correia da Cunha, concunhado de Cristovão Colombo, foi confiada a capitania da parte norte da Graciosa e a Duarte Barreto, a da parte sul. O aumento da população da ilha, resultado sobretudo da vinda de gentes das Beiras, do Minho e da Flandres, reflecte-se na sua prosperidade, o que leva Santa Cruz a receber o foral de vila em 1486, recebendo a Praia, 60 anos mais tarde, igual mercê. Virada desde os primórdios do povoamento para a agricultura e para a plantação de vinhas, já no séc.XVI a Graciosa exportava trigo, cevada, vinho e aguardente, privilegiando todo o seu comércio com a Terceira, ilha que lhe ficava mais próximo e que possuia um amplo porto muito frequentado por navios de grande porte e que, além disso, na época era um importante centro económico e administrativo dos Açores.
Nos sécs.XVIII e XIX, a Graciosa foi anfitriã de proeminentes figuras da época, como o escritor francês Chateaubriand na sua fuga para a América durante a Revolução Francesa, o grande poeta português Almeida Garrett, então jovem de visita a seu tio e que na ilha escreve já versos que revelam o seu talento e o príncipe Alberto de Mónaco, notável pela sua dedicação a trabalhos de hidrografia e estudos da vida marinha, que chegou à ilha a bordo do seu famoso iate “Hirondelle”, nela tendo visitado a furna da Caldeira.
A data da descoberta e povoamento de São Jorge é uma incógnita, remontando ao ano de 1439 a primeira referência conhecida da ilha. Em 1443 esta era já habitada, mas o seu povoamento tem grande incremento com a chegada à ilha do nobre flamengo Wilhelm van der Haegen, que desembarcou no Topo e aí criou uma povoação, onde mais tarde viria a falecer, já então conhecido por Guilherme da Silveira. A capitania da ilha foi doada em 1483 a João Vaz Corte Real e o primeiro foral de vila em São Jorge foi atribuído, antes do final do séc.XV, à localidade de Velas. Assentando basicamente a sua economia na vinha e na produção de trigo além do pastel e da urzela que eram exportadas para a Flandres e outros países da Europa para uso na tinturaria, São Jorge prospera e, em 1510 e 1534 respectivamente, Topo e Calheta eram já sedes de concelho.




No período conturbado da subida ao trono português do rei Filipe II de Espanha, tal como a Terceira, São Jorge apoia incondicionalmente D.António, prior do Crato, capitulando frente aos espanhóis após a queda daquela ilha. Como outras do arquipélago, São Jorge foi também palco de ataques de corsários ingleses e franceses e cobiça dos piratas turcos e argelinos, ao longo dos sécs.XVI, XVII e XVIII.
Desconhecendo-se igualmente a data exacta da descoberta da ilha do Pico, sabe-se no entanto que o seu povoamento teve início por volta do ano de 1460, com naturais do norte de Portugal, no lugar das Lajes, posteriormente primeira vila e sede de concelho da ilha. Dedicando-se inicialmente os seus habitantes à produção de trigo e à exportação de pastel, após laborioso trabalho na transformação de extensos campos de lava em fertéis pomares e produtivos vinhedos, os picoenses voltam-se para a produção do famoso “Verdelho do Pico”, que atinge fama internacional, durante mais de 2 séculos, chegando mesmo a ser muito apreciado e consumido na mesa dos czares da Rússia. Um forte ataque de oídio, em meados do séc.XIX, destruiu praticamente todas as plantações de vinha, afectando sobre maneira a economia da ilha. Além da vinha, outra importante fonte de riqueza das gentes do Pico durante muitos anos foi a caça ao cachalote, actividade em que os picoenses eram exímios artesãos. Hoje, por força das leis internacionais de protecção àquela espécie, esta actividade é apenas uma grata recordação dos “Lobos do Mar”, orgulhosamente retratada no Museu dos Baleeiros, nas Lajes do Pico.

As vilas de São Roque, desde 1542 e da Madalena, desde 1723 são, os dois centros sede de concelho da Ilha Montanha, como também é conhecido o Pico. Designada nas antigas cartas e portulanos por Insule de Venture, a ilha do Faial só foi descoberta na primeira metade do séc.XV, embora ao certo não se saiba qual o ano. Do seu povoamento sabe-se que teve início antes de 1460, por povoadores vindo do norte de Portugal, que se terão instalado no lugar que hoje constitui a freguesia dos Cedros, na costa norte da ilha.
Alguns anos mais tarde, o fidalgo flamengo Josse Van Huerter, acompanhado de um grupo de compatriotas seus, desembarca no Faial, em busca do estanho e da prata que nela julgava existir e, apesar da desilusão de sua não existência, mas entusiasmado com a ilha, aí se instala, acabando mesmo por conseguir, em 1468, a carta de donatário da mesma. É então que trás da Flandres mais colonos, que se vão instalar no vale que hoje é conhecido por Vale dos Flamengos e onde se situa a freguesia do mesmo nome, perpetuando assim a sua fixação no lugar.
A agricultura e exportação do pastel são então as principais actividades da ilha. Nas lutas entre Liberais e Absolutistas no princípio do séc.XIX os faialenses apoiam os primeiros, combatendo valorosamente as tropas Miguelistas e contribuindo inclusivamente com um arsenal que viria a abastecer a frota que desembarcou no Mindelo. D.Pedro IV chega mesmo a visitar o Faial em 1832.
À Horta, elevada a cidade em 1833 em reconhecimento dos serviços prestados à causa liberal, chegou em 1919 o primeiro hidroavião a realizar a travessia do Atlântico e no Faial pela sua extraordinária situação geográfica, foram instaladas estações de cabos submarinos inter-continentais de nacionalidade inglesa, americana, francesa, alemã e italiana.

O porto da Horta construído em 1876, serviu de abrigo à frota aliada que participou na histórica invasão da Normandia, em 1944 durante a Segunda Grande Guerra Mundial. Em 1957, precedida de uma crise sísmica que durou 12 dias e em que foram sentidos mais de 200 abalos de terra, entrou em erupção o Vulcão dos Capelinhos, com a cratera principal localizada a cerca de 1 Km ao largo da ponta oeste do Faial e cuja actividade durou 13 meses, durante os quais foram projectadas milhares de toneladas de cinzas negras que acumulando-se acrescentaram à superfície da ilha, 2,4 Km2 de terra firme. As duas últimas, e mais ocidentais, ilhas do arquipélago dos Açores a serem descobertas foram as Flores e o Corvo, tendo sido reconhecidas por Diogo de Teive e seu filho João de Teive, por volta do ano de 1452.
Inicialmente denominada de São Tomás ou de Santa Iria, devido à grande abundância de flores amarelas - cubres - que revestiam toda a ilha, esta adaptou o nome por que hoje é conhecida: Ilha das Flores.
Ao fidalgo flamengo Wilhelm Van der Haegen é atribuído o início do povoamento das Flores, no ano de 1470, no Vale da Ribeira da Cruz mas o afastamento da ilha em relação às outras do arquipélago aliado à inexistência de ligações marítimas regulares que permitissem a exportação do pastel para a Flandres, levaram a que aquele fidalgo a abandonasse, indo então fixar-se em São Jorge.
Em princípios do séc.XVI, novo incremento é dado ao povoamento da ilha, cujas terras são arroteadas para a produção de trigo, cevada, milho e legumes, produtos destinados sobretudo ao consumo interno. Em 1515 o lugar das Lajes recebe o foral de vila para, em 1548, Santa Cruz receber idêntica mercê.

A ilha do Corvo conhecida anteriormente por Insula Corvi Marini, é a mais pequena do arquipélago com apenas 17 Km2 de superfície e tem vivido à base de uma agro-pastorícia com características muito próprias, que se tem mantido até aos nossos dias, embora com algumas modificações. A presença de baleeiros americanos nos mares dos Açores no final do séc.XVIII e XIX, foi chamariz dos corvinos que, na actividade da caça ao cachalote, foram conhecidos pela sua valentia, sendo por isso muito procurados para tripulantes de navios baleeiros. Seduzidos por melhores condições de vida, muitos desses tripulantes deixaram-se ficar por terras americanas, o que levou a que os índices de emigração de gentes do Corvo atingissem altos valores. Hoje, a Vila Nova do Corvo, único centro urbano da ilha e sede de concelho desde 1832, alberga uma população de cerca de 370 habitantes.

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