segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Santo Cristo - Madre Teresa da Anunciada - Açores - Portugal

Madre Teresa da Anunciada nasceu e foi baptizada no dia 25 de Novembro de 1658, na freguesia de São Pedro da então vila da Ribeira Grande. Entrou para o Convento da Esperança onde iniciou o seu noviciado, em 19 de Novembro de 1681, vindo a fazer os votos solenes em 23 de Julho de 1683. Morreu, com fama de santidade, em 16 de Maio de 1738.


O prelado da Diocese de Angra deu início ao processo jurídico sobre a Vida e Virtudes de Madre Teresa, em 5 de Maio de 1738; nesse mesmo ano, em 6 de Agosto, o Provincial dos Franciscanos nos Açores deu início ao processo jurídico da Vida e Virtudes de Madre Teresa, feito pela Ordem de São Francisco.


Há poucos anos, circulou, entre a população açoriana, um abaixo-assinado, dirigido ao Santo Padre, do seguinte teor:"O povo dos Açores tem um grande amor e devoção ao Senhor Santo Cristo dos Milagres. Amor e devoção que ultrapassaram em muito as fronteiras da Região, porquanto em todos os países da diáspora açoriana se celebram festas em honra do Senhor Santo Cristo e são muitos milhares os que, de quase todo o mundo, se deslocam todos os anos em peregrinação de súplica ou acção de graças ao Senhor.Tudo começou com uma Religiosa Clarissa, Madre Teresa da Anunciada que, no silêncio do convento, recebeu um apelo especial para honrar e desagravar o Senhor na Sua Flagelação representado na Imagem do Ecce Homo.


A partir, sobretudo de 1700, o culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres tomou tal grandeza que, desde então, nunca mais esfriou. As graças e os milagres têm sido uma constante. Madre Teresa da Anunciada foi um instrumento para ajudar a recordar aos homens que Deus é solidário com o Seu povo.Monja de vida austera e intrépida na sua fé, pela oração intensa, pelo seu amor a Jesus e à Eucaristia e pela sua devoção a Maria Santíssima, é tida como modelo de santidade e considerada a grande intercessora junto do Senhor que tanto amou.Por isso, junto a minha voz à de muitos sacerdotes e fiéis, implorando a Vossa Santidade seja concedido o "nihil obstat" para a organização do Processo de Beatificação da Serva de Deus a fim de ser elevada à honra dos altares, assim o espero".


O Reitor do Santuário da Esperança, Monsenhor Agostinho Tavares, já anunciou que vai solicitar a intervenção junto da Santa Sé do novo Bispo dos Açores, D. António Braga, no sentido da beatificação de Madre Teresa da Anunciada.Os restos mortais de Madre Teresa conservam-se numa pequena urna que se guarda na Capela do Senhor Santo Cristo, no Mosteiro da Esperança.


Em fins do século passado, ou começos deste século, um dos bispos de Angra mandou abrir a caixa, que ainda hoje se conserva no coro baixo do Convento da Esperança e que contém os despojos mortais de Madre Teresa da Anunciada.


Removida que foi a respectiva cobertura, logo se evolou um magnífico e inexplicável aroma. Poderá alguém, mais exigente, não querer aceitar o facto. O certo é, porém, que da vida da Madre Teresa se evola um perfume que resiste a todas as inconsequências dos homens, a todos os desvios de alguns devotos, certamente sinceros, mas pouco esclarecidos.


O pai de Teresa de Jesus (mais tarde, Teresa da Anunciada) foi Jerónimo Ledo de Paiva, nascido na Ribeira Seca da Ribeira Grande, em Julho de 1601. A mãe foi Maria do Rego Quintanilha, baptizada na paroquial de S. Jorge, da Vila do Nordeste, em 11 de Agosto de 1614. A prolongada doença de Jerónimo Ledo de Paiva, que acabou por vitimá-lo, numa sexta-feira, 24 de Janeiro de 1666, foi a grande desgraça que se abateu sobre esta família, de treze filhos, sendo Teresa a mais nova. Foi sua irmã, Joana de Santo António, que fez os impossíveis até conseguir que Teresa de Jesus entrasse no Convento de Nossa Senhora da Esperança.


Quando Teresa chegou à idade de aprender a ler, sucedeu que veio por essa ocasião do Brasil seu irmão, Frei Simão do Rosário, para descansar alguns meses e restabelecer-se das extenuantes missões pelo sertão brasileiro. Ensinou a ler as irmãs mais moças e Teresa deliciava-se com a leitura da vida de santos, em especial as "Meditações de Santa Brígida".


Quando chegou o dia da profissão de Teresa, a procissão de ingresso que se organizou com luzido acompanhamento, saiu da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, do Convento dos Franciscanos, para a de Nossa Senhora da Esperança. Sobressaía a figura de Teresa de Jesus que, nesse momento, já estava crismada com o nome que a devia celebrizar - Teresa da Anunciada.


A família, os convidados e o conjunto musical, acompanhados de alegre repicar de sinos das torres de várias igrejas circunvizinhas, festejavam este acontecimento.Quando Teresa entrou para o Mosteiro da Esperança, estava no coro baixo, a um lado, num pequeno altar, uma imagem do Senhor, no passo do "Ecce Homo", que tinha um registo a tapar a abertura do peito, pois outrora servira de sacrário. A pedido de sua irmã, Joana de Santo António, Teresa conseguiu um novo altar para a Imagem que foi a encarnar. Pediu a Madre Jerónima do Sacramento, do Convento de Santo André, de Ponta Delgada, que fizesse uma cana de flores de seda, para ornar o Senhor quando regressasse ao seu novo altar.


A Imagem do Senhor Santo Cristo estava no seu novo altar, mas o tecto do coro era formado pelo soalho do coro alto que, além de velho, tinha muitas frinchas que deixavam passar o pó, além do barulho que se sentia quando se andava no coro alto. Teresa conseguiu que fosse construída uma capela e, a seu pedido, D. Pedro II, por alvará de 2 de Setembro de 1700, concedeu uma tença de doze mil réis, para manter acesa, dia e noite, uma lâmpada de azeite diante do altar do Senhor Santo Cristo.


Nenhuma dessas capelas chegou aos nossos dias, mas, sim, uma terceira, mandada construir posteriormente e que foi benzida a 22 de Março de 1771. Foi por esta época que Madre Teresa da Anunciada desejou que a Imagem do Senhor saísse em procissão, passando por todas as igrejas e conventos da cidade. Por intermédio do Conde da Ribeira Grande, obteve licença do Prelado, D. Frei António de Pádua, e a primeira procissão do Senhor Santo Cristo realizou-se a 11 de Abril de 1700, segundo o investigador Urbano de Mendonça Dias. (O investigador mais recente Luciano Mota Vieira invocou pesquisas que fazem recuar para 1698 a primeira procissão.


O cortejo repetiu-se em Abril de 1700 e foi esta data que, durante muito tempo, foi apontada como sendo a da primeira procissão).A devoção que esta procissão despertou foi tal que nunca mais deixou de se realizar, salvo uma ou outra vez, por efeito de mau tempo. É a maior devoção que se realiza em terras portuguesas.


Madre Teresa parece que não teve velhice, tal a energia que manteve até ao fim da vida. A última doença prostrou-a aceleradamente. Os jejuns, os cilícios, as penitências e uma cama feita com uma enxerga de palha sobre ramos, parece que nunca lhe tiraram as forças do corpo e lhe fortificaram as da alma. A doença que a vitimou não foi longa. Pressentiu a morte que chegou ao amanhecer de sexta-feira, dia 16 de Maio de 1738. Teresa ia completar, em Novembro seguinte, 80 anos de idade. A devoção que Teresa da Anunciada tão intensamente sentiu por Cristo no passo do "Ecce Homo" foi dando, através dos séculos, novas ressonâncias ao culto do Senhor, a ponto de ter chegado aos nossos dias, com notável influência na espiritualidade do nosso Povo.


A 16 de Maio de 1954, foi colocada uma lápide comemorativa na casa onde nasceu a Madre Teresa, sita à Rua do Torninho, na Ribeira Seca.


A 12 de Maio de 1963, foi inaugurado, junto à igreja da Ribeira Seca, um busto da Madre Teresa, da autoria do escultor Numídico Bessone.Em Dezembro de 1992, Madre Teresa da Anunciada foi oficialmente designada Patrona da escola n° 5 da Ribeira Seca.


A grande estátua da Madre Teresa, junto ao Santuário do Santo Cristo, em Ponta Delgada, foi inaugurada em 26 de Maio de 1984.



Santo Cristo - A primeira Procissão - Açores - Portugal

No ano de 1700, a Ilha de S. Miguel foi abalada por fortes e repetidos tremores de terra. Duravam estes já vários dias quando a Mesa da Misericórdia e grande parte da nobreza da cidade, vendo que os terramotos não cessavam, resolveram ir à portaria do Mosteiro da Esperança para levarem em procissão a Imagem do Santo Cristo.

Ao princípio da tarde desse dia 13 de Abril de 1700, juntaram-se as confrarias e comunidades religiosas. Concorreu igualmente toda a nobreza e inumerável multidão que, com viva fé, confiava se aplacaria a indignação divina com vista da santa Imagem.
Caminhava já a procissão em que todos iam descalços; e logo que a veneranda Imagem se deixou ver na portaria, foi tão grande a comoção em todos que a traduziram em lágrimas e suspiros, testemunhos irrefragáveis da contrição dos corações.

Levaram o andor do Santo Cristo as pessoas mais qualificadas em nobreza. Andando a procissão, ia a veneranda Imagem entrando em todas as igrejas onde, em bem concertados coros, Lhe cantavam os salmos "Miserere mei Deus".

Saindo da Igreja dos Jesuítas, e caminhando para a das Religiosas de Santo André, não obstante toda a boa segurança e a cautela com que levavam a santa Imagem, com assombro e admiração de todos, caiu esta fora do andor e deu em terra. Foi esta queda misteriosa, porque não caiu a Imagem por algum dos lados do andor, como era natural, senão pela parte superior do docel.
O povo ficou aflito com sucesso tão estranho. Uns feriam os peitos com as pedras; outros, pondo a boca em terra, que julgavam santificada com o contacto da santa Imagem, pediam a Deus misericórdia; estes, tomando os instrumentos de penitência, davam sobre si rijos e desapiedados golpes, regando a terra com o sangue das veias; aqueles publicavam em alta voz as suas culpas, como causas da indignação do Senhor; e todos, com clamores e enternecidos suspiros, pediam a Deus que suspendesse as demonstrações da sua justa vingança.

Verificaram, então, que a santa Imagem não experimentara com a queda dano considerável, pois somente se observou no braço direito uma contusão. A Imagem foi lavada e limpa no Convento de Santo André e, colocada outra vez no andor com a maior segurança, continuou a procissão, na qual as lágrimas e soluços do povo aflito embargavam as preces, até que, bem de noite, se recolheu no Mosteiro da Esperança. E a cólera divina se aplacou.

Santo Cristo - Origem da Imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres - Açores - Portugal

No Convento da Caloura, em Água de Pau, começa a história do culto do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em S. Miguel. Reza a tradição que foi neste lugar que se erigiu o primeiro Convento de Religiosas nesta Ilha, convento cuja fundação se deveu, principalmente, à piedade das filhas de Jorge da Mota, de Vila Franca do Campo.
Mas para que tal comunidade fosse estabelecida como devia, foi necessário que alguém fosse a Roma impetrar a respectiva Bula Apostólica. Largaram, por isso, de S. Miguel a caminho da Cidade Eterna, duas religiosas. Aí solicitaram ao Papa o desejado documento. Tão bem se desempenharam dessa missão que o Sumo Pontífice não só lhes passou a ambicionada Bula como ainda lhes ofereceu uma Imagem do Ecce Homo. De regresso a Vale de Cabaços, a singular imagem foi posta num nicho onde se conservou por poucos anos.

Porque o lugar era ermo e muito exposto às incursões dos piratas, o pequeno Mosteiro ficou, certo dia, deserto, pois parte das religiosas seguiu para Santo André, de Vila Franca do Campo, e a outra parte se encaminhou para Ponta Delgada, para o Mosteiro da Esperança, acabado de fundar pela viúva do Capitão Donatário, Rui Gonçalves da Câmara.
Mas a Imagem do Senhor Santo Cristo não ficou esquecida em Vale de Cabaços, porque a religiosa galega Madre Inês de Santa Iria a quis trazer para Ponta Delgada.



O Mar e a Pesca - Açores - São Miguel - Portugal


A costa recortada da ilha, a riqueza e variedade de peixe tornam São Miguel um paraíso para o pescador de rocha. As principais espécies capturadas são, pargo, bicuda, peixe-agulha, anchova, congro, tambor, goraz, cavala, enxaréu e moreia. Muitos pesqueiros estão sinalizados, sendo os mais interessantes localizados em Ponta Delgada, Ponta das Feteiras, Ferraria, Mosteiros, Ponta da Bretanha, Porto das Capelas, Poços de São Vicente, Rabo de Peixe, Ponta e Porto da Ribeira do Nordeste, Água Retorta, Faial da Terra.A existência de profundidades de 300 a 800 m a pequena distância da costa (2 a 3 km) permite, com a utilização de uma embarcação, a pesca de bicudas, anchovas, lírios, dourados, bonitos, atum-voador, atum-aibacora, patudo e rabilho.
Mas são os grandes e combativos espadartes, pecos, bonitos, várias espécies de atum e tubarão, etc., que fornecem oportunidades de emocionantes lutas aos apreciadores de pesca desportiva, Algumas capturas atingiram já pesos "record". Ponta Delgada dispõe de barcos especialmente equipados para esta pesca que cruzam até aos ilhéus das Formigas.


A vida Submarina - São Miguel - Açores - Portugal

Águas transparentes e cálidas, Espectaculares falésias e crateras. As formas contorcidas, o colorido das rochas vulcânicas. As enormes grutas. Uma flora e uma fauna ricas e variadas, onde o mero se cruza com o golfinho, a tartaruga com a raia, enquanto passam intermináveis cardumes de peixes.

Atractivos para os apaixonados pelo mergulho, observação e fotografia submarinas, que encontram no litoral de São Miguel milhares de pequenos paraísos para, de dia ou de noite, apreciarem todos os encantos do fundo do mar. São áreas privilegiadas para a observação submarina a Galera, a costa na orla de Feteiras, os ilhéus de Vila Franca e dos Mosteiros. Junto ao porto de Ponta Delgada está afundado a profundidade que permite a sua visita, o navio "Dori".

Lagoas e Ribeiras, Trutas e Carpas - São Miguel - Açores - Portugal

Ribeiras que correm entre ravinas densamente arborizadas. Lagoas de águas transparentes onde se reflectem as margens verdejantes. A oportunidade de capturar combativas trutas e carpas, ruivos e achigãs. Aliciantes convites que São Miguel faz aos pescadores desportivos. Oferecendo-lhes, simultaneamente, um salutar contacto com uma Natureza exuberante e florida, horas de tranquilidade e de emoção. As ribeiras da Praia, Alegria, Bispos, Faial da Terra, Guilherme, Machado, Caldeirões, Coelhas, Salga, Carneiros, Limos e Grande oferecem a truta para desafiar a destreza dos pescadores. A Lagoa das Sete Cidades é rica em percas, lúcios e carpas. Na Lagoa do Fogo abundam a truta e a carpa, enquanto que as Lagoas Rasa e de São Brás têm a achigã. Na Lagoa das Furnas pesca-se truta, perca, sandre, carpa e ruivo.




terça-feira, 14 de outubro de 2008

Ponta Delgada - História - Uma prespectiva histórica da cidade


Ponta Delgada foi elevada a cidade, no reinado de D. João III, conforme reza a carta régia de 2 de Abril de 1546, depois da primeira capital da ilha - Vila Franca do Campo - ter sido devastada pelo terrível terramato de 1522.




A historiografia celebra o século XIX como a época áurea da cidade de Ponta Delgada e da ilha de S.Miguel, pela prosperidade económica, graças à exportação de citrinos para o Reino Unido, e pelo cosmopolitismo, graças à fixação de numerosos comerciantes estrangeiros, nomeadamente de inúmeras famílias judaicas, a partir de 1818. A imitação do gosto inglês ficou, então, patente na plantação de jardins ao gosto romântico - como os de António Borges, José do Canto, Jácome Correia e Visconde Porto Formoso (actual Universidade dos Açores) -, na construção de belíssimos palacetes e no "embelezamento" progressivo da urbe, com a proibição da deambulação de animais nas ruas, a abertura de novas ruas, a localização do cemitério público no extremo Norte da cidade e a periferização dos mercados do peixe, do gado e das frutas.



Graças à importância da actividade mercantil, Ponta Delgada era, então, considerada a terceira cidade do país, em riqueza e em número de habitantes. Recorde-se, por exemplo, a surpresa do poeta Bulhão Pato, traduzida nas suas Cartas, com a extraordinária riqueza dos proprietários das quintas de laranja - os gentlemen farmers - senhores da terra e da especulação do solo urbano, exportadores de laranja e de milho, banqueiros e usurários, industriais e armadores - que faziam do investimento emblemático e simbólico do espaço, uma forma privilegiada de afirmação económica e de estratégia de reprodução social.



No início do século XX, Ponta Delgada ainda se encontrava em oitava posição no seio do universo urbano português. No decurso das últimas décadas, porém, o crescimento urbano em Portugal, por força da acelerada industrialização e da perda de importância da economia rural - à semelhança do se tinha verificado no mundo desenvolvido, desde os inícios de oitocentos -, veio contribuir para que não só crescesse o número de cidades, como aumentasse a população urbanizada a nível nacional, e, nesse sentido, Ponta Delgada, tomando por base o critério do número de habitantes, com os seus menos de cinquenta mil habitantes, foi "atirada" para o ranking das pequenas cidades portuguesas.

Ponta Delgada, contudo, nunca deixou de ser a primeira do arquipélago pela riqueza gerada, pelo número dos seus habitantes, pelo seu inestimável património, pela sua importância cultural e pelo seu cosmopolitismo.